O cenário no maior polo de comércio de peças automotivas de Goiânia é alarmante. Segundo dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), das mais de 900 lojas da Vila Canaã, apenas 150 estão totalmente regularizadas para operar. O número equivale a cerca de 17% do total e expõe a dimensão da informalidade na região.
A informação foi divulgada após uma nova operação da Lei do Desmonte, realizada nesta quarta-feira (14/08) em conjunto pela Polícia Civil, Prefeitura de Goiânia e Detran-GO. A ação fiscalizou empresas suspeitas de vender peças sem origem comprovada. Em um dos estabelecimentos vistoriados, foi constatada a ausência de credenciamento junto ao órgão e peças sem etiquetas obrigatórias para rastreamento.
Fiscalização reforçada e prazos esgotados
O Detran-GO informou que, nos últimos dois anos, foram concedidos diversos prazos para que os comerciantes se adequassem ao registro simplificado, além da realização de ações educativas. Para o presidente do órgão, Delegado Waldir, a aplicação rigorosa da Lei do Desmonte é fundamental para combater crimes como receptação de veículos furtados ou roubados, proteger o meio ambiente, garantir segurança ao consumidor e valorizar o comércio legalizado.
Reação e protestos
A operação não foi bem recebida por todos. O presidente da Associação dos Centros de Desmonte Veicular (CDV), João Tundra, se manifestou nas redes sociais afirmando que “ali tem família de bem” e lamentando que a fiscalização tenha tirado o ganha-pão de muitos comerciantes.
O clima esquentou durante os protestos. Segundo a Polícia Militar, manifestantes chegaram a incendiar pneus e obstruir vias na região, colocando pedestres e motoristas em risco. O Batalhão de Choque foi acionado e utilizou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar o grupo.
Com o reforço nas fiscalizações iniciado no fim de julho, a expectativa do Detran-GO é que mais comerciantes busquem a regularização, evitando multas, apreensões e até o fechamento dos estabelecimentos.
Redação



