Os consumidores goianos já sentem alívio no bolso com a redução nos preços de alimentos e combustíveis, reflexo direto do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No entanto, especialistas alertam que a medida pode trazer graves consequências para a economia estadual, com risco de perdas bilionárias e milhares de empregos em jogo.
Alívio imediato para o consumidor
Nas gôndolas dos supermercados e nos postos de combustíveis, os números chamam a atenção: o preço do arroz caiu 3,99%, o frango em pedaços 3,35%, o pão francês 2,73% e os ovos 4,64%. Já a gasolina registrou queda de 1,63% e o etanol, de 4,23%.
Outro reflexo está na carne bovina. A arroba, que girava em torno de R$ 300, agora é negociada abaixo de R$ 260, reduzindo os custos de cortes tradicionais como acém, patinho e músculo. Também houve queda nos preços de frutas como manga e mamão.
Efeitos colaterais preocupam
Se por um lado o consumidor comemora, por outro a indústria, o agronegócio e os serviços acendem o alerta. A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) projeta perdas de até R$ 1,36 bilhão no PIB estadual. Desse total, R$ 860,9 milhões recaem sobre a indústria, R$ 250,1 milhões sobre a agropecuária e R$ 245,6 milhões sobre setores de transporte, comércio e logística.
O impacto pode ainda atingir o mercado de trabalho. Estima-se que cerca de 23 mil empregos estejam em risco, especialmente em frigoríficos, usinas e no setor logístico. Municípios como Rio Verde, Itumbiara, Jataí e Anápolis estão entre os mais vulneráveis.
Queda de preços é temporária
Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), Luiz Batista Alves, essa queda nos preços é apenas um efeito momentâneo. “O excesso de oferta no mercado interno gera esse alívio imediato, mas a tendência é de ajuste. Em dois ou três meses, os produtores devem reduzir a produção ou buscar novos mercados, e os preços voltarão a subir”, afirma.
Governo estadual anuncia pacote
Diante da ameaça, o governo de Goiás lançou um pacote de R$ 628 milhões em crédito, com juros de até 10% ao ano, para socorrer empresas e preservar empregos. O programa, já em vigor, exige das empresas beneficiadas o compromisso de manter postos de trabalho.
Um cenário de incerteza
Para os goianos, a queda nos preços pode representar um alívio no curto prazo. Mas, no horizonte, paira a incerteza sobre os efeitos do tarifaço na economia estadual, que pode perder força produtiva e competitividade, colocando em xeque o equilíbrio entre consumo e geração de renda.
Redação



