Em meio à corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, partido quer indicar vice de Tarcísio de Freitas e articula candidatura evangélica ao Senado com apoio do governador
A sucessão estadual em São Paulo já movimenta intensamente os bastidores da política, e a disputa pela vaga de vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas se tornou peça-chave em um xadrez que vai além do Executivo. O Partido Liberal (PL) reivindica espaço na composição majoritária ao mesmo tempo em que costura uma candidatura evangélica competitiva ao Senado, buscando o aval direto do governador para fortalecer o projeto.
De um lado da queda de braço está o Partido Social Democrático (PSD), comandado por Gilberto Kassab, que defende a permanência do atual vice, Felício Ramuth. Embora Ramuth não descarte mudança partidária, aliados afirmam que o PSD não pretende abrir mão de um espaço considerado estratégico na engrenagem do governo. Do outro lado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, atua para emplacar seu aliado André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
A ofensiva pró-Prado ganhou corpo com a circulação de uma carta suprapartidária que destaca o papel da Alesp em pautas estratégicas do governo, como a privatização da Sabesp e o avanço do Rodoanel Norte. O documento exalta o “perfil conciliador” do presidente da Casa e busca consolidar apoio político em torno de seu nome. Nos corredores do poder, há quem trate a indicação como praticamente certa. Ainda assim, Tarcísio mantém publicamente a preferência por Ramuth, sinalizando que a decisão final passará por cálculos eleitorais delicados — especialmente diante da força do eleitorado evangélico, que pode ser determinante na disputa por uma das vagas ao Senado.
Mais do que uma simples definição de vice, o embate revela a disputa por protagonismo dentro da base aliada e antecipa o tom das próximas eleições. Em jogo estão poder, influência e a consolidação de alianças que podem redesenhar o cenário político paulista nos próximos anos.



