Uma história de sobrevivência, coragem e libertação chama atenção no mundo e expõe como a fé pode ser usada como instrumento de opressão.
Pamela Jones, hoje com 50 anos, revelou em entrevista que passou boa parte da vida em um culto apocalíptico de origem mórmon, chamado Igreja dos Primogênitos da Plenitude dos Tempos. Ali, segundo ela, mulheres eram criadas para serem obedientes e submissas aos homens.
Pamela contou que seu pai tinha 11 esposas e 57 filhos biológicos, e que desde cedo foi condicionada a aceitar que o papel da mulher era servir. Aos 15 anos, foi forçada a se casar com um parente do fundador do culto. Uma semana após a cerimônia, o marido já anunciava que buscaria uma segunda esposa.
A rotina era marcada por vida precária, sem eletricidade ou água encanada, além de constantes ameaças espirituais: quem deixasse o grupo estaria condenado ao castigo divino.
O limite veio quando o marido de Pamela decidiu se casar novamente — pela terceira vez. “Naquele momento percebi que, se não saísse, minha vida e a de meus filhos estariam destruídas”, relatou.
Em 2000, ela montou um plano de fuga. Juntou documentos que comprovavam a cidadania americana dos nove filhos, pegou dinheiro e cartões de crédito do marido e atravessou a fronteira até os Estados Unidos.
Hoje, Pamela vive em Minneapolis (EUA), trabalha em serviços de limpeza, se casou novamente e afirma ter encontrado finalmente liberdade. “Aprendi não apenas a usar minha voz, mas a rugir quando necessário”, declarou.
Histórias como a de Pamela revelam um alerta global: líderes religiosos abusivos podem se aproveitar da fé para manipular, explorar e aprisionar pessoas. A luta dela não é apenas pessoal, mas representa também milhares de mulheres que ainda vivem presas em sistemas de opressão ao redor do mundo.
Redação



