A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça dentro do próprio apartamento no bairro do Brás, na região central de São Paulo, ganhou novos contornos após declarações do advogado Miguel Silva. Em entrevista exibida no programa Domingo Espetacular, neste domingo (8), ele afirmou que trabalha com a possibilidade de que o caso seja, na verdade, um feminicídio. A policial foi encontrada ferida dentro do apartamento onde morava e chegou a ser socorrida ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso aconteceu na manhã de quarta-feira (18) e, inicialmente, foi registrado como morte suspeita com hipótese de suicídio. Segundo o boletim de ocorrência, quem encontrou a vítima caída no chão foi o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele afirmou às autoridades que estava tomando banho no momento em que o disparo ocorreu. A arma estava nas mãos da policial e havia muito sangue no local. Apesar disso, a investigação passou a levantar dúvidas sobre a dinâmica do ocorrido.
Durante a entrevista, o advogado foi enfático ao questionar a versão inicial do caso. “Se ela tivesse cometido suicídio, dificilmente essa arma estaria na mão dela”, afirmou Miguel Silva. Ele defendeu que a investigação aprofunde as apurações e declarou acreditar na possibilidade de feminicídio. “Eu trabalho sim com a possibilidade enorme de que seja um feminicídio devidamente comprovado, que seja cumprida a prisão preventiva, que ele seja pronunciado, levado ao tribunal popular e condenado”, disse.
Outros elementos investigados também aumentaram as suspeitas. A perícia encontrou marcas de sangue no box do banheiro do apartamento, o que levantou dúvidas sobre a versão apresentada pelo oficial. Além disso, relatos indicam que o corpo do homem não estaria molhado quando o socorro chegou, apesar de ele afirmar que estava no banho no momento da morte da esposa. O chão do apartamento também não apresentava sinais de água. Outro ponto que chama atenção é que, após a remoção do corpo da policial, o tenente-coronel teria sido autorizado a retornar ao local e tomar banho antes da realização completa da perícia — circunstância que agora também está sendo analisada pelos investigadores.



