O clima foi de indignação e revolta na manhã desta terça-feira (26) na Ocupação Itaipu, região do Real Conquista, em Goiânia. Moradores afirmam que a Prefeitura derrubou duas casas sem aviso prévio e sem ordem judicial, deixando dezenas de famílias em alerta e com medo de perder o pouco que conseguiram construir.
Segundo relatos, uma das casas já tinha móveis e outra estava em fase de construção, substituindo um antigo barraco de madeira. “Se fosse para tirar, por que não tiraram quando era lona? Esperaram a gente levantar algo mais firme para vir e derrubar”, desabafou uma moradora.
Em meio à ação, moradores impediram a demolição de outra casa onde estavam quatro crianças. Um homem chegou a ser detido por tentar resistir às máquinas, mas foi liberado em seguida.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Goiânia afirmou que a ação foi realizada a pedido do Ministério Público, para impedir novas construções em uma área destinada a praça pública e considerada de preservação ambiental.
Segundo a gestão municipal, as edificações derrubadas não eram habitadas — uma estava em construção e a outra teria apenas uma rede e uma cadeira. A Prefeitura garantiu que não existe ordem de desocupação no local e que, caso ocorra no futuro, será feita com aviso prévio e abordagem “humanizada”.
O lado dos moradores
A Ocupação Itaipu existe desde 2023 e abriga cerca de 40 famílias, a maioria em situação de vulnerabilidade social. Para eles, a Prefeitura deveria buscar regularizar a comunidade e permitir que os moradores paguem impostos, em vez de agir com tratores sem diálogo.
“Somos pessoas humildes, não causamos transtorno. Queremos apenas morar com dignidade”, disse uma moradora que vive há 28 anos na região.
Redação



