sábado, março 7, 2026
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Ministro do STJ pede afastamento de 90 dias após acusações de importunação sexual

Marco Buzzi nega as denúncias, apresenta licença médica para tratamento psiquiátrico e afirma que provará inocência em meio às investigações conduzidas pelo CNJ

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, solicitou afastamento do cargo por 90 dias após ser acusado de importunação sexual. A decisão foi comunicada em carta enviada aos colegas da Corte nesta terça-feira, na qual o magistrado informa que apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e que se encontra internado sob acompanhamento cardíaco e emocional.

No documento, Buzzi afirma estar “muito impactado” com a repercussão das denúncias e diz que optou inicialmente pelo silêncio, mas decidiu se manifestar diante da gravidade das acusações e do desgaste público. Segundo ele, tomou conhecimento dos fatos “de modo informal” e repudia veementemente as imputações.

O ministro sustenta que provará sua inocência nos procedimentos já instaurados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conduz as apurações. Ele ressalta sua trajetória de quase 70 anos de vida, décadas dedicadas à magistratura e um casamento de 45 anos, do qual nasceram três filhas. De acordo com o magistrado, a menção à vida pessoal não pretende servir como prova de inocência, mas como um “elemento relevante de coerência biográfica” que, em sua avaliação, exige cautela na análise das denúncias.

“Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, escreveu. O ministro também relatou sofrimento emocional e destacou o impacto do caso sobre familiares e pessoas próximas. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, afirmou.

O pedido de afastamento ocorre em meio ao avanço das investigações no CNJ, que já instaurou mais de uma reclamação disciplinar para apurar as denúncias. A primeira foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante período em que passava férias com a família na residência do ministro, em Balneário Camboriú (SC). Na semana passada, ela foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o relato.

Na segunda-feira, uma nova denúncia foi formalizada junto ao Conselho, ampliando o alcance das apurações.

O caso traz repercussão significativa ao STJ e reacende o debate sobre responsabilidade institucional, transparência e a necessidade de apuração rigorosa de denúncias envolvendo membros do Judiciário. O CNJ segue responsável pela condução dos procedimentos disciplinares, enquanto o ministro permanece afastado para tratamento de saúde.

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