Com 170 mm de chuva em apenas três horas, Rio Ubá sobe quase oito metros, deixa sete mortos, quatro desaparecidos e provoca colapso em prédios e pontes; Exército foi acionado para reforçar os resgates
A cidade de Ubá, na Zona da Mata mineira, amanheceu coberta por lama, destroços e silêncio interrompido apenas pelo som de sirenes e máquinas de resgate. Após um temporal histórico que despejou 170 milímetros de chuva em apenas três horas, o município contabiliza sete mortes e quatro pessoas desaparecidas. O prefeito José Damato classificou o episódio como a “maior tragédia da história” da cidade.
O volume extraordinário de água provocou a elevação repentina do Rio Ubá, que atingiu quase oito metros de altura — marca jamais registrada. A força da correnteza arrastou veículos, invadiu casas, comprometeu estruturas e causou a queda de prédios e pontes. Famílias inteiras foram retiradas às pressas durante a madrugada, muitas delas apenas com a roupa do corpo, enquanto a água avançava de forma implacável.
“Estamos trabalhando desde ontem à noite para atender a nossa população. É uma situação trágica, algo nunca antes visto aqui”, afirmou o prefeito, visivelmente emocionado. Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e voluntários atuam nas buscas por desaparecidos e no atendimento às vítimas. Diante da dimensão do desastre, o Exército foi acionado para reforçar as operações de resgate e auxiliar na desobstrução de áreas afetadas.
Além das perdas humanas, o município enfrenta agora o desafio de reconstruir bairros inteiros. Escolas e unidades de saúde foram atingidas, o fornecimento de energia e água foi comprometido em diversas regiões, e dezenas de famílias estão desalojadas. Abrigos provisórios foram montados para acolher moradores que perderam tudo.
Enquanto a cidade tenta contabilizar os prejuízos, o sentimento predominante é de luto e solidariedade. Em meio à dor, moradores se unem para ajudar vizinhos, distribuir mantimentos e oferecer apoio às famílias atingidas. Ubá vive dias de profunda tristeza — mas também de resistência e reconstrução diante de uma tragédia sem precedentes.



