Gabriela Patrícia, de apenas 20 anos, sofreu três paradas cardíacas após uso de medicamentos abortivos aplicados por amigos em um quarto de motel. Polícia investiga o caso como homicídio e aborto provocado. A jovem morreu entubada e com sangramento intenso.
Uma tragédia chocante e de extrema gravidade abalou a cidade de Ceres (GO) na noite desta sexta-feira (1º). Gabriela Patrícia de Jesus Silva, de apenas 20 anos, morreu após complicações de uma tentativa de aborto realizada de forma clandestina dentro de um quarto de motel. O caso, que envolve uso indevido de medicamentos, confissões de amigos e omissão de funcionários do estabelecimento, está sendo investigado como crime de aborto com resultado morte.
A jovem deu entrada por volta das 19h40 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceres, em estado gravíssimo, inconsciente e em parada cardiorrespiratória. Foi socorrida por Mickaelly Ferreira Mota e Rodrigo Mota Ferreira, que a levaram em um carro particular até a unidade de saúde, alegando inicialmente que ela havia passado mal.
O que parecia ser mais um caso de urgência médica se revelou uma trama perturbadora. Conforme relatos da equipe médica e posteriormente confirmado pelos próprios acompanhantes, Gabriela foi submetida a uma tentativa de aborto no quarto 207 do Safari Motel, onde foram aplicadas duas doses de ocitocina na veia da jovem — um medicamento proibido para uso doméstico e sem qualquer supervisão médica. Após a aplicação, Gabriela sofreu crises convulsivas e desmaiou.
CONFISSÃO CHOCANTE
Em depoimento à polícia, Mickaelly confessou ter ajudado na aplicação do medicamento e afirmou que tudo havia sido combinado com Gabriela. Rodrigo, que também assumiu participação direta, declarou manter relações sexuais com a vítima, embora negasse um relacionamento amoroso. Segundo ele, acreditava ser o pai da criança e, por isso, ambos haviam “chegado a um acordo” para interromper a gravidez.
Contudo, a polícia ressalta que não há confirmação de que a jovem tenha consentido com o procedimento, uma vez que chegou desacordada e não pôde prestar depoimento.
Exames laboratoriais constataram que Gabriela estava grávida e apresentava sinais claros de intervenção farmacológica. Ela teve três paradas cardíacas, sendo a última, às 00h12 de sábado (02), fatal, apesar dos intensos esforços da equipe médica para reanimá-la.
FUNCIONÁRIOS DO MOTEL OBSTRUÍRAM A INVESTIGAÇÃO
A tentativa de localizar o local exato do crime foi dificultada por funcionários e pelo proprietário do Safari Motel, que negaram qualquer conhecimento do caso e se recusaram a colaborar com a polícia. A recepcionista Simone, o proprietário Márcio e uma funcionária chamada Raquel foram apontados como responsáveis por obstrução da justiça e desobediência a ordem legal, ao se negarem a indicar qual quarto havia sido utilizado.
Após quase duas horas de resistência e dissimulação, a recepcionista Simone finalmente admitiu que recebeu um pedido de socorro via interfone, feito por Rodrigo Mota, e que a situação realmente ocorreu no quarto 207. A informação foi essencial para que a equipe de Rialma isolasse o local e solicitasse perícia técnica.
A polícia acredita que a omissão dos funcionários foi proposital, possivelmente para evitar escândalo público ou proteger a imagem do estabelecimento, o que poderá agravar sua situação jurídica.
AÇÃO POLICIAL E PRISÃO EM FLAGRANTE
Diante das confissões e das evidências, a Delegacia de Polícia Civil de Ceres determinou a prisão em flagrante de Mickaelly Ferreira Mota e Rodrigo Mota Ferreira, por aborto provocado com consentimento da gestante (art. 126), com resultado morte (art. 127) e em concurso de pessoas (art. 29), conforme o Código Penal.
O delegado responsável pelo caso já solicitou uma série de exames periciais e toxicológicos, tanto na vítima quanto nos medicamentos e seringas apreendidos. Também foi determinada a realização de perícia detalhada no local do crime, para encontrar vestígios biológicos, restos de medicamentos ou qualquer outra evidência que confirme a dinâmica dos fatos.
O caso continua em investigação, e a tipificação penal poderá ser agravada, a depender dos laudos finais e da conclusão da apuração.
UM ALERTA À SOCIEDADE
O caso de Gabriela Patrícia expõe com brutalidade os perigos do aborto ilegal e a negligência com a vida de mulheres jovens. A morte de uma jovem de apenas 20 anos — em meio a uma tentativa desesperada, sem apoio médico, e sob circunstâncias clandestinas — abre um alerta para toda a sociedade.
A investigação segue em curso, e o Jornal Goiás da Gente acompanhará de perto os desdobramentos deste caso que comove e revolta a população de Ceres e de todo o Estado de Goiás.
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