sábado, março 7, 2026
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Indígena Karajá conquista guarda provisória dos netos com apoio das Defensorias

Com ajuda das Defensorias Públicas de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, Claudina Marralaru Karajá, de 51 anos, garantiu o direito de cuidar legalmente de seis netos que já estavam sob sua responsabilidade desde 2024.

Justiça e dignidade

A indígena Claudina Marralaru Karajá, moradora da aldeia São Domingos, em Luciara (MT), conseguiu nesta segunda-feira (25/08) a guarda provisória de seus seis netos. A conquista só foi possível após a mobilização das Defensorias Públicas de Goiás (DPE-GO), Tocantins (DPE-TO) e Mato Grosso (DPE-MT), que atuam juntas no projeto Defensorias do Araguaia.

Desde o feminicídio da filha, em 2024, Claudina assumiu sozinha a criação das crianças. Sem a guarda legal, ela enfrentava muitas dificuldades para acessar benefícios sociais e previdenciários que garantissem condições dignas de sustento.

Vida de luta

Trabalhando como merendeira, Claudina sobrevive com apenas um salário mínimo. Ela conta que as crianças pedem roupas, calçados e itens básicos do dia a dia, mas que atender a essas necessidades era quase impossível sem apoio governamental.

Com a decisão judicial, a indígena poderá agora acessar programas sociais, como o Cadastro Único, o benefício Pé-de-Meia e auxílios previdenciários junto ao INSS.

Ação conjunta

Durante o mutirão das Defensorias, foram realizados:

  • Atendimentos junto ao CRAS;

  • Emissão de documentos necessários para a formalização da guarda;

  • Inserção no CadÚnico e acesso a benefícios sociais.

O defensor público João Paulo Carvalho Dias (DPE-MT) ressaltou a importância da ação:

“É um caso de grande impacto, porque envolve uma avó que assumiu a responsabilidade de criar os netos após a perda trágica da filha. Agora, ela terá condições legais e materiais para continuar exercendo esse cuidado com dignidade.”

Próximos passos

O projeto Defensorias do Araguaia segue sua segunda edição e ainda nesta semana vai atender outras comunidades:

  • 27 de agosto: aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal (TO);

  • 29 de agosto: aldeias Buridina e Bdè-Burè, em Aruanã (GO).

Importância social

A conquista de Claudina simboliza não apenas uma vitória pessoal, mas também o reflexo da importância da presença das instituições públicas nas comunidades indígenas. A guarda legal garante proteção jurídica, dignidade e direito ao futuro para seis crianças que dependem exclusivamente da força e do amor da avó.

Redação

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