Manaus, AM – O governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), enfrenta acusações de favorecer empresas do estado de Goiás com contratos milionários, enquanto trabalhadores locais alegam abandono e falta de oportunidades. O caso vem ganhando destaque nas últimas semanas, provocando críticas severas de lideranças políticas, entidades sindicais e da população.
Contratos Polêmicos
De acordo com documentos divulgados por fontes locais, o governo do Amazonas teria firmado contratos com empresas goianas que somam dezenas de milhões de reais para fornecimento de serviços e produtos. Entre os contratos estão obras de infraestrutura, fornecimento de equipamentos médicos e aquisição de materiais escolares.
As empresas contratadas, segundo denúncias, teriam sido favorecidas por meio de processos licitatórios pouco transparentes. “É inadmissível que empresas de fora estejam sendo priorizadas em detrimento de fornecedores e prestadores de serviços locais, que têm plena capacidade de atender as demandas do estado”, criticou José Carlos Silva, presidente de uma associação comercial em Manaus.
Impacto nos Trabalhadores Amazonenses
Enquanto os recursos públicos beneficiam empresas de Goiás, trabalhadores amazonenses relatam dificuldades para acessar empregos e políticas públicas voltadas para sua qualificação. Setores como a construção civil e o transporte, que poderiam gerar milhares de vagas na região, continuam marcados por altos índices de desemprego.
“Temos mão de obra qualificada aqui no Amazonas. Por que trazer empresas de fora? O governo está virando as costas para a nossa gente”, questionou Maria de Lourdes, moradora de Manaus e trabalhadora da área de construção civil.
Além disso, sindicatos locais apontam que projetos de capacitação prometidos pela administração estadual não foram efetivamente implementados, deixando muitos profissionais desempregados ou subempregados. “Enquanto o dinheiro vai para Goiás, nossos trabalhadores continuam lutando para sobreviver. Isso é uma afronta à população do Amazonas”, afirmou Antônio Pereira, líder sindical.
Posicionamento do Governo
O governador Wilson Lima ainda não se pronunciou diretamente sobre as acusações, mas a Secretaria de Comunicação do Estado emitiu uma nota defendendo a lisura dos processos licitatórios. Segundo o governo, a contratação de empresas de outros estados se deve à falta de fornecedores locais capazes de atender às exigências técnicas de determinados projetos.
“Nosso compromisso é garantir o melhor serviço para a população do Amazonas, sempre respeitando a legislação e buscando eficiência e economia para o estado”, afirmou a nota.
No entanto, a justificativa não convenceu a oposição e os críticos, que exigem maior transparência nos processos e prioridade para empresas e trabalhadores locais.
Repercussão Política
A controvérsia ganhou força entre parlamentares amazonenses. Deputados estaduais e federais criticaram a gestão de Wilson Lima e pediram investigações sobre os contratos milionários. “Não podemos aceitar que os recursos do Amazonas sejam drenados para outros estados enquanto nossa população sofre com desemprego e falta de infraestrutura”, declarou o deputado estadual João Almeida (MDB).
Além disso, setores da sociedade civil têm organizado protestos e abaixo-assinados para pressionar o governo a rever sua política de contratações. “Precisamos priorizar o desenvolvimento do nosso estado. O dinheiro do Amazonas deve gerar empregos aqui”, enfatizou a líder comunitária Patrícia Souza.
Ações e Possíveis Desdobramentos
Diante da pressão popular e política, líderes da Assembleia Legislativa do Amazonas cogitam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos firmados com empresas goianas. Caso irregularidades sejam comprovadas, o governo poderá enfrentar sanções legais e administrativas.
Enquanto isso, a população amazonense aguarda respostas concretas sobre as denúncias. Para muitos, a resolução do caso será um teste de compromisso do governador com o estado e sua gente.
A história segue em desenvolvimento, com novas informações esperadas nos próximos dias.
Gilmar Lira