Se Rogério Cruz é o maior responsável, a Câmara de Vereadores é conivente
A recente discussão sobre o possível afastamento do atual prefeito Rogério Cruz, em meio a uma grave crise na Saúde de Goiânia, levanta questões cruciais sobre a atuação da Câmara de Vereadores nos últimos quatro anos. A situação atual, marcada pela ‘Operação Comorbidade’ e a prisão de altos funcionários da Secretaria Municipal de Saúde, expõe não apenas as falhas na gestão da prefeitura, mas também a omissão do Legislativo em suas funções de fiscalização e controle.
Câmara que não fiscaliza é conivente
Durante quatro anos, a Câmara de Vereadores pareceu alheia aos problemas crescentes na administração municipal. É impensável que todas as patologias administrativas tenham levado a gestão municipal para a UTI e alçado escândalos tão tenebrosos sem que aqueles eleitos para fiscalizar o executivo tenham percebido ao menos algum cisco fora do tapete.
As várias mortes e denúncias sobre a precariedade dos serviços de saúde, a cidade tomada de lixo por crise na coleta de resíduos, os alagamentos recorrentes por falta de infraestrutura e os atrasos nos pagamentos às secretarias não foram suficientes para mobilizar os vereadores. Entre a incoerência, uma verdade: Câmara que não fiscaliza é conivente.
É intrigante que agora, somente agora, a 30 dias para o fim do mandato de Cruz, os vereadores se mostram tão ‘preocupados’. E não apenas em afastar Rogério, mas também com a transição de governo e a composição do secretariado do prefeito eleito, Sandro Mabel.
O vereador Thialu Guiotti, que agora articula por um impeachment, reconhece que a situação chegou a um ponto insustentável. Esse entendimento é quase unânime, não dá para discordar, mas onde estava essa indignação durante toda a gestão de Rogério Cruz? Qualquer cidadão com mínimas capacidades intelectuais entende que uma derrocada dessa não acontece do dia para noite. A aparente passividade da Câmara, que deveria ser um órgão de controle e representação da população, é alarmante. O que fez a Casa enquanto a saúde pública se deteriorava e a cidade enfrentava uma série de crises? Onde estava o preocupado vereador quando a grita era grande?
Não dá para pular do barco no último segundo e alegar que não sabia que ele estava afundando.
A Omissão da Oposição
As palavras de Paulo Magalhães, que reconhece a omissão da Câmara ao longo do mandato de Cruz, são reveladoras. O que é mais chocante: a crise que se agravou ou a falta de ação dos vereadores que, agora, se posicionam como defensores da população? Essa mudança repentina de postura levanta questionamentos sobre a verdadeira motivação por trás do pedido de impeachment. Seria realmente um clamor popular ou uma tentativa de salvar a própria imagem diante da pressão da opinião pública?
Ao meu ver – talvez também dos mais espertos – não passa de um movimento político de baixo nível. O que, aliás, foi a constante desta ‘egrégia’ casa de leis do mandato findo.
A Câmara de Vereadores não pode se eximir de sua responsabilidade principal: ser os olhos do povo ao fiscalizar quem governa para o povo. O papel do Legislativo é não apenas responder a crises, mas antecipar-se a elas. É inaceitável que os vereadores tenham se mantido em um silêncio ensurdecedor enquanto a cidade afundava em problemas.
A falta de um plano de ação claro e a inércia em fiscalizar a administração municipal demonstram uma falha grave no exercício de suas funções. Não cola, ao apagar das luzes, deixar a ‘cruz’ apenas para as costas dos goianienses e alocar o maior responsável dessa catástrofe apenas como bode expiatório.
Neste sentido, repito a minha pergunta: onde estava a Câmara de Vereadores nestes quatro anos de Cruz?
É de dar náusea a proposta do nobre edil.