Operação da Polícia Civil aponta esquema de corrupção em contrato público que pode ter desviado cerca de R$ 2,7 milhões
A Polícia Civil do Estado de Goiás prendeu, nesta terça-feira (10), a ex-secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia, Luanna Shirley de Jesus Sousa, e o ex-gerente da pasta Jaisson Veras Normandia durante a Operação Núcleo Paralelo. A ação foi conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos para fornecimento de tinta inseticida.
De acordo com as investigações, os dois são apontados como peças centrais de uma associação criminosa suspeita de atuar dentro da administração municipal. O esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 2,7 milhões aos cofres públicos. A suspeita é de que irregularidades tenham ocorrido tanto no processo de licitação quanto na execução do contrato firmado pela prefeitura.
A apuração indica que o contrato investigado previa a compra e aplicação de cerca de 10 mil litros de tinta inseticida, o equivalente a mais de 2,5 mil latas do produto, em um acordo avaliado em aproximadamente R$ 4,4 milhões. No entanto, parte do material contratado não teria sido entregue conforme previsto, levantando suspeitas de fraude e pagamento indevido.
Durante a operação, a polícia cumpriu 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Brasília. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos investigados, medida considerada essencial para aprofundar a análise das movimentações financeiras e da comunicação entre os suspeitos.
Segundo os investigadores, há indícios de que um “núcleo informal” teria sido criado para acelerar o processo de contratação da empresa fornecedora. Também foram apontadas possíveis irregularidades como entrega de produto próximo ao vencimento, material em desacordo com o contrato, falhas na fiscalização da execução e ausência de controle adequado no almoxarifado municipal.
Procurado para comentar o caso, o ex-prefeito Rogério Cruz afirmou, por meio de nota, que não é parte no processo judicial e que não tem conhecimento do conteúdo das investigações. Segundo ele, durante sua gestão orientou os auxiliares a seguirem os princípios da legalidade, transparência e correta aplicação dos recursos públicos. O ex-prefeito também declarou confiar no trabalho das instituições responsáveis pela apuração dos fatos.
As investigações seguem em andamento e novas diligências não estão descartadas. A Polícia Civil busca agora aprofundar a análise documental e financeira para identificar a extensão do suposto esquema e possíveis outros envolvidos no caso.



