Nesta segunda-feira (6/1), a microbiologista Natália Pasternak, uma das principais vozes da ciência no Brasil, alertou para o risco iminente de uma nova pandemia. O aviso foi dado em meio a discussões sobre a preparação global para futuras emergências sanitárias e a necessidade de ações coordenadas para evitar a repetição de crises como a da Covid-19.
O alerta: novas pandemias são inevitáveis?
Segundo Pasternak, o surgimento de pandemias não é apenas possível, mas inevitável, dado o aumento da interação entre humanos, animais e o meio ambiente. “A globalização, o desmatamento e as mudanças climáticas intensificam o contato entre pessoas e reservatórios naturais de vírus, aumentando as chances de novos patógenos saltarem para os humanos”, explicou.
Ela também destacou que a ciência já identificou milhares de vírus em animais, alguns dos quais têm o potencial de causar surtos em humanos. O exemplo mais recente e devastador foi o SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de Covid-19, que revelou falhas significativas nos sistemas globais de saúde pública.
Lições aprendidas com a Covid-19
A microbiologista reconheceu que a pandemia de Covid-19 trouxe avanços importantes, como o desenvolvimento de vacinas em tempo recorde e a maior visibilidade para a ciência. No entanto, ela enfatizou que muitas das lições aprendidas ainda não foram plenamente aplicadas. “Ainda temos países com sistemas de saúde frágeis, desigualdades no acesso a vacinas e medicamentos, e lacunas em vigilância epidemiológica que precisam ser urgentemente corrigidas”, afirmou.
Entre os pontos críticos mencionados estão:
- A subnotificação de doenças infecciosas em países em desenvolvimento.
- A falta de investimento em ciência e tecnologia para detecção precoce de novos vírus.
- A desinformação e a resistência às vacinas, que comprometem as estratégias de imunização.
O papel da ciência e da cooperação internacional
Pasternak ressaltou que a ciência desempenha um papel crucial na prevenção de pandemias, desde a pesquisa básica até a formulação de políticas públicas. Contudo, para que essas medidas sejam eficazes, é necessário um compromisso global. “Uma pandemia não respeita fronteiras. A resposta precisa ser coordenada entre os países, com trocas de informações, investimentos compartilhados em ciência e tecnologias, e solidariedade na distribuição de recursos”, afirmou.
Ela também destacou iniciativas internacionais, como o Acordo Pandêmico da Organização Mundial da Saúde (OMS), que busca fortalecer a resposta global a emergências sanitárias. “Precisamos de sistemas de vigilância robustos e de políticas que priorizem a saúde pública acima de interesses econômicos imediatos”, disse.
O que pode ser feito para evitar outra crise global
A especialista listou algumas medidas essenciais para reduzir os riscos de uma nova pandemia:
- Fortalecimento de sistemas de vigilância epidemiológica para monitorar surtos locais antes que eles se espalhem globalmente.
- Redução do desmatamento e controle do comércio de animais silvestres, que são fontes de novos vírus.
- Educação científica para combater a desinformação e aumentar a confiança pública na ciência.
- Investimento em pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos de amplo espectro, que possam ser rapidamente adaptados a novos patógenos.
- Criação de estoques estratégicos de insumos médicos, como máscaras e respiradores, para emergências.
Atenção ao futuro
Natália Pasternak concluiu sua mensagem com um apelo para que governos, organizações e cidadãos estejam mais atentos à prevenção. “Não podemos esperar que a próxima pandemia nos pegue de surpresa. O tempo para agir é agora”, afirmou.
Com a crescente conscientização sobre os riscos globais e a urgência de medidas preventivas, o alerta da microbiologista serve como um chamado para que a humanidade invista mais na ciência, na cooperação internacional e na saúde pública, evitando que futuros surtos se transformem em tragédias globais.
Gilmar Lira