sábado, março 7, 2026
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Engenheiro de Goiandira denuncia agressão por policiais militares após discussão política

Guilherme Fernandes, engenheiro eletricista de 30 anos, denunciou ter sido agredido por policiais militares na porta de sua casa, em Goiandira, na madrugada de sábado (15). A vítima ficou quatro dias internada e precisou refazer uma cirurgia na boca em razão dos ferimentos. Segundo ele, as agressões ocorreram após uma discussão política iniciada horas antes em um bar da cidade.

Câmeras de segurança registraram parte da ação, que, de acordo com Guilherme, envolveu dois policiais militares fardados e um policial da reserva. Ele relata ter recebido golpes no rosto, na cabeça e no corpo enquanto estava rendido.

Segundo Guilherme, ele estava em uma roda de amigos por volta das 22h30 de sexta-feira (14) quando um policial militar aposentado se aproximou e reagiu a um comentário sobre política.

“Eu falei algo sobre PT, nada demais. Ele ouviu e ficou incomodado”, contou. Guilherme afirma que, ao voltar do banheiro, foi confrontado pelo aposentado, que teria tentado agredi-lo com uma cadeirada. Para evitar a briga, ele correu e se abrigou em um comércio de uma amiga. Pouco tempo depois, soube que uma viatura estava na porta de sua casa.

Ao chegar, Guilherme diz que foi abordado pelos policiais e pelo aposentado. “Desci do carro para me apresentar. Antes de qualquer coisa, já mandaram colocar as mãos para trás e me algemaram. Eu já estava machucado”, relatou.

Ele afirma que foi levado para trás de uma árvore, local onde ocorreu a parte mais violenta das agressões. “Me colocaram na frente de um deles, que começou a me bater sem parar. Minha boca cortou inteira, quebrou um dente, meu rosto inchou todo”, disse. Guilherme ainda contou que dois policiais o seguravam enquanto o terceiro desferia os golpes, por mais de dois minutos, enquanto ele estava rendido.

A vítima também relatou que um dos PMs e o policial aposentado entraram em sua casa sem autorização e, posteriormente, teriam tentado oferecer dinheiro no hospital para que ele não denunciasse o caso.

Guilherme foi internado em um hospital particular de Catalão devido a uma infecção na boca provocada pelos ferimentos. Ele permaneceu quatro dias internado, com fortes dores no corpo e na cabeça. A primeira cirurgia precisou ser refeita, e agora ele soma 27 pontos na boca.

Uma audiência na Corregedoria da Polícia Militar está marcada para o dia 10 do próximo mês. O prefeito de Goiandira enviou uma notificação formal à Corregedoria pedindo providências no caso.

No domingo (23), moradores de Goiandira fizeram uma manifestação pelas ruas da cidade, pedindo justiça. O grupo se concentrou na praça central e seguiu até a porta da casa de Guilherme, local das agressões registradas pelas câmeras. Participantes classificaram a caminhada como “um ato por paz e por respostas”.

A Polícia Civil informou que aguarda o laudo médico oficial para decidir se o caso, inicialmente registrado como Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), será convertido em investigação formal. Dependendo do resultado, o processo pode virar inquérito contra os policiais militares.

Os policiais envolvidos negam ter cometido agressões. O sargento Roberto Cândido declarou que “não houve agressão praticada pelos policiais de serviço”, atribuindo a violência apenas ao major aposentado Nesser Peixoto, autuado por lesão corporal e ameaça.

Em nota recente, a Polícia Militar de Goiás afirmou que “adotou as medidas administrativas pertinentes e o procedimento apuratório segue seu trâmite”.

Redação: Goiás da Gente
Jornalista: João Pedro Lira

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