Atualização da planta de valores e mudança nas alíquotas elevam cobrança de IPTU e ITU; discurso político tenta minimizar impacto enquanto população sente no bolso
A polêmica sobre o aumento de impostos em Aparecida de Goiânia ganhou um novo capítulo, e agora com base em documento oficial. Apesar de vereadores afirmarem na tribuna que não houve aumento de IPTU, um decreto publicado no Diário Oficial do município comprova que houve, sim, atualização que impacta diretamente o valor cobrado dos contribuintes.
O Decreto publicado em 27 de dezembro de 2024, assinado pelo então prefeito Vilmar Mariano, atualiza a chamada Planta de Valores Genéricos, base usada para calcular o valor venal dos imóveis. Na prática, esse valor é o principal fator que define quanto cada cidadão paga de IPTU e ITU.
Ou seja, ainda que não se fale diretamente em “aumento de imposto”, a elevação do valor venal resulta, inevitavelmente, em aumento da cobrança.
O próprio texto do decreto é claro: ele estabelece novos valores por metro quadrado de terrenos e construções em toda a cidade, organizados por macrozonas e bairros. Além disso, determina que, nos casos em que o reajuste ultrapasse a inflação, o aumento será aplicado de forma progressiva, podendo chegar a até 40% até 2027.
Mesmo diante desse cenário, vereadores foram à tribuna nesta semana para negar o aumento do IPTU. O argumento principal é de que não houve votação específica sobre o imposto predial, mas sim alterações no ITU, voltado a terrenos não edificados.
A explicação, no entanto, não sustenta toda a realidade dos fatos.
Isso porque, em dezembro de 2025, já na gestão do prefeito Leandro Vilela, a Câmara aprovou a Lei Complementar nº 248, que alterou o Código Tributário Municipal e redefiniu as alíquotas do ITU, com percentuais que chegam a até 3% sobre o valor venal dos imóveis.
Na prática, a combinação entre o decreto de 2024 (que aumenta o valor venal) e a lei de 2025 (que ajusta alíquotas e regras de cobrança) cria um efeito acumulativo: o contribuinte pode pagar mais, e em alguns casos, significativamente mais.
Durante a sessão, vereadores como Tales de Castro e André Fortaleza classificaram como “fake news” as informações sobre aumento de IPTU. Já o vereador Felipe Cortez chegou a propor publicamente a revogação do decreto, reconhecendo, ainda que indiretamente, o impacto das medidas.
O problema central não está apenas na nomenclatura técnica — IPTU ou ITU — mas na transparência com a população. Para o cidadão comum, pouco importa o nome do tributo: o que pesa é o valor final no boleto.
E é justamente aí que o discurso político entra em choque com a realidade.
Ao tentar desqualificar críticas como desinformação, parte da classe política ignora que os próprios documentos oficiais confirmam mudanças que afetam diretamente o bolso da população. A atualização da planta de valores, somada às novas regras tributárias, não é apenas um ajuste técnico — é uma decisão com impacto real na vida de milhares de famílias.
No fim, o debate revela mais do que uma disputa de narrativas. Expõe um distanciamento entre o que é dito na tribuna e o que está escrito no Diário Oficial.
E, diante de documentos públicos, a pergunta que permanece é simples — mas incômoda: se não houve aumento, por que ele está registrado em decreto?


