O Tribunal do Júri de Mineiros, no Sudoeste Goiano, condenou José Wagner da Silva a 67 anos, 7 meses e 20 dias de prisão em regime fechado pelo assassinato brutal de Mirella, uma jovem mulher trans de 23 anos. O crime, que chocou a cidade em 2022, foi considerado pela Justiça um ato de violência com motivação de ódio e homofobia.
Segundo as investigações, José Wagner convidou Mirella para beber em sua casa. Ao descobrir que a jovem era trans, ele reagiu com fúria. A perícia revelou que ela foi golpeada na cabeça com uma pedra, enrolada em uma lona e, em seguida, queimada ainda com vida no quintal da residência do acusado.
O laudo apontou que Mirella estava consciente quando foi incendiada, detalhe que reforçou a crueldade do crime. Após o assassinato, José Wagner ainda tentou apagar os vestígios para dificultar a ação da polícia, o que resultou também em condenação por fraude processual.
Além da pena de prisão, o réu foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização à família da vítima. O Ministério Público destacou que a motivação do crime foi de ódio, classificada como transfobia, e que a violência empregada impossibilitou qualquer chance de defesa de Mirella.
O caso gerou grande comoção em Mineiros e em todo o estado de Goiás, levantando debates sobre a violência contra pessoas trans e a necessidade de políticas públicas mais firmes de proteção. Organizações de direitos humanos classificaram o crime como um dos mais bárbaros registrados na região nos últimos anos.
A condenação foi vista como uma resposta dura da Justiça diante de crimes motivados por preconceito.
Redação



