Câmara Municipal de Itapuranga, na sessão de 13 de agosto de 2025, manteve a rejeição das contas de governo de 2007 do ex-prefeito Wagner Camargo Júnior. A votação terminou empatada em 5 a 5, insuficiente para reverter a recomendação do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), que já havia apontado falhas técnicas e uma divergência de R$ 455.643,17 nos saldos patrimoniais entre 2006 e 2007, levando à manutenção da reprovação.
A crise contábil em torno das contas de 2007 do ex-prefeito Wagner Camargo Júnior remonta ao Acórdão nº 04373/2018 do TCM-GO, que identificou “inúmeras falhas e omissões técnicas de natureza contábil”, além de uma discrepância significativa entre o saldo patrimonial inicial informado pela prefeitura e o saldo final de 2006 apurado pelo tribunal, totalizando R$ 455.643,17. O parecer técnico, embora não seja vinculativo ao Legislativo, serviu de base para a atuação da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Itapuranga, que reforçou os apontamentos do tribunal ao julgar as contas.
Na sessão ordinária realizada em 13 de agosto de 2025, o plenário da Câmara decidiu manter a rejeição das contas ao votar em 5 a 5. Como a aprovação exigiria dois terços dos votos — ou seja, pelo menos 6 dos 9 vereadores — as contas foram rejeitadas definitivamente no âmbito municipal. O ex-prefeito foi notificado para apresentar defesa e documentos, mas permaneceu em silêncio, sendo considerado “revel” no processo, o que implica na presunção dos fatos alegados como verdadeiros. A decisão foi formalizada por meio do Projeto de Decreto Legislativo nº 3227, de 31 de julho de 2025.
Camargo Júnior cumpriu dois mandatos como prefeito de Itapuranga, entre janeiro de 2001 e março de 2008, quando foi afastado pela Justiça por abuso de poder econômico, corrupção e captação ilícita de votos durante as eleições de 2004.
A manutenção da rejeição das contas coloca um ponto final, por ora, em uma polêmica contábil e legal que já perdura desde 2018. Para o ex-prefeito, além do impacto reputacional, a decisão pode restringir futuros cargos públicos ou a possibilidade de receber convênios ou financiamentos, dependendo de normativas estaduais ou federais que tratam de inelegibilidades ou impedimentos administrativos.
A Câmara, por sua vez, demonstra alinhamento com os pareceres técnicos, reafirmando sua vocação fiscalizatória. Ainda que o parecer do TCM-GO tenha caráter técnico, a decisão final coube ao Legislativo — que, ao manter a reprovação, sinaliza um rigor contábil e institucional.
Do ponto de vista da sociedade, a medida reforça a importância da prestação de contas e da transparência na gestão pública. Moradores e lideranças locais podem exigir agora providências adicionais ou até mesmo novas auditorias em gestões passadas ou atuais.
Até o momento, não há confirmação de novos recursos ou ações por parte do ex-prefeito ou de representações civis. A próxima etapa pode envolver eventuais desdobramentos judiciais ou administrativos, caso se busque revertê-la em instâncias superiores ou em outras esferas de controle.
A manutenção da rejeição das contas de 2007 de Wagner Camargo Júnior pela Câmara Municipal de Itapuranga, confirmada em 13 de agosto de 2025, reforça o rigor das instituições locais quanto à prestação de contas públicas. A divergência contábil apontada, superior a R$ 455 mil, e a ausência de defesa do ex-prefeito acentuaram a decisão definitiva do Legislativo. Resta agora observar se surgirão novos recursos ou controles adicionais, enquanto a população acompanha o desfecho de um capítulo que mescla contabilidade, política e responsabilização pública.
Redação



