sexta-feira , 4 abril 2025

Artigo de Opinião: Valdemar da Costa Neto e a Imunidade de Foro: Uma Questão de Ética ou Estrategismo?

Por Messias da Gente

 

Nos meandros intrincados da política brasileira, nomes como o de Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), não apenas desafiam a lógica do bem comum, mas trazem à tona dilemas éticos que transcendem as quatro linhas da lei. Recentemente, o burburinho nos bastidores políticos revelou que os conselheiros de Valdemar o instigam a se lançar como candidato nas próximas eleições. Manobra esta que, para muitos, visa garantir sua imunidade de foro.

Essa estratégia é, no mínimo, alarmante e reverbera um sentimento de indignação e ceticismo na sociedade. Em um país onde a confiança nas instituições e nos representantes públicos já se encontra severamente abalada, a noção de que um político se utiliza de candidaturas como um escudo protetor contra os rigores da Justiça é um tapa na cara de uma população que clama por ética e transparência.

O conceito de imunidade parlamentar, que deveria ser um mecanismo de proteção para que legisladores possam atuar livremente em prol do interesse público, está, na prática, se tornando uma armadilha que engessa a ação da Justiça em casos de corrupção e desvio de conduta. Esta situação nos leva a refletir: até que ponto a proteção individual de um político pode ser colocada acima do clamor por justiça social e pela responsabilidade no uso de recursos públicos?

Valdemar da Costa Neto não é um desconhecido para quem acompanha a cena política. Seu nome ecoa entre aqueles que já se envolveram em escândalos, tendo enfrentado condenações e processos judiciais. A ideia de que ele busca uma nova candidatura parece mais um ato de sobrevivência política do que um compromisso genuíno com as necessidades da população. Ao buscar refúgio na imunidade, essa manobra se transforma em um símbolo de uma prática política que considera mais a própria preservação do que a ética que deveria nortear qualquer representante público.

Essa realidade é uma manifestação de uma estrutura política fragilizada, onde o interesse público é frequentemente eclipsado pelo sobrevivencialismo político. O eleitorado brasileiro, há muito tempo desencantado com a metodologia antiga de fazer política, aguarda uma mudança substantiva. E essa mudança tem que ser, em essência, uma reconfiguração da relação entre os eleitos e aqueles que os elegeram.

A emergência de uma nova política demanda uma reavaliação do conceito de foro privilegiado e das ferramentas disponíveis àqueles que ocupam cargos públicos. Ao invés de serem vistas como proteção a ações corretas e dignas, essas prerrogativas vêm sendo distorcidas para se tornar um dispositivo de elisão da impunidade. Assim, a verdadeira pergunta que se impõe é: que tipo de representantes nós estamos dispostos a escolher? E como podemos garantir que os nossos representantes sejam comprometidos com a ética e a justiça social?

A urgência de reformar o sistema político é evidente, e isso deve começar com conscientização e participação ativa da sociedade na escolha de seus representantes. Precisamos, cada um de nós, nos tornar vigilantes da integridade e da responsabilidade na política. O eleitorado deve exigir que seus futuros representantes compreendam que a imunidade não deve servir como um abrigo para ações desonestas, mas como um recurso que venha a ser respeitado e utilizado com a devida responsabilidade e ética.

Em última análise, Valdemar da Costa Neto se torna um símbolo neste debate, refletindo um sistema que precisa ser radicalmente examinado e transformado. Ao promover uma escolha consciente de candidatos, teremos um passo decisivo em direção a um futuro onde a política não é sinônimo de impunidade e egoísmo.

É a nossa hora de reescrever essa narrativa. A segurança e a dignidade em nossa sociedade não podem ser apenas palavras vazias. Precisamos, com urgência, construir um novo caminho que valorize a ética, a transparência e os direitos de todos, onde a política seja verdadeiramente a arte de servir ao povo, e não um meio de escapar das responsabilidades que dela advêm.

 

 

Messias da Gente

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