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Após repercussão negativa, vereadores recuam no discurso e tentam rebater críticas sobre aumento de impostos em Aparecida

Parlamentares alegam “fake news” sobre IPTU, mas admitem mudanças no ITU; debate expõe contradições e pressão popular após votação

A forte repercussão da matéria publicada pelo Goiás da Gente sobre o aumento de impostos em Aparecida de Goiânia provocou uma reação imediata dos vereadores. Na sessão desta terça-feira (17), parlamentares ocuparam a tribuna da Câmara Municipal para tentar conter a insatisfação popular, mas o discurso adotado levanta mais dúvidas do que respostas.

O ponto central da defesa foi a tentativa de separar o que chamaram de “fake news” sobre aumento do IPTU. Segundo os vereadores, não houve votação para elevar o imposto sobre imóveis residenciais, mas sim ajustes no ITU (Imposto Territorial Urbano), voltado a terrenos não edificados. A explicação, no entanto, não foi suficiente para afastar as críticas.

O vereador Tales de Castro (PSB) afirmou que as informações que circularam nas redes sociais seriam distorcidas e motivadas por interesses políticos. Segundo ele, o objetivo da medida é combater a especulação imobiliária, destacando que mais de 85 mil lotes estariam nessa condição no município.

Já o vereador André Fortaleza reforçou que nenhum projeto de aumento do IPTU tramitou na Casa. Ele atribuiu parte da confusão a um decreto publicado em dezembro de 2024, ainda na gestão do ex-prefeito Vilmar Mariano, que teria atualizado a base de cálculo dos tributos.

Mas, apesar das tentativas de esclarecimento, o debate escancarou um problema maior: a percepção da população de que, na prática, o bolso do contribuinte será impactado, independentemente do nome técnico do imposto.

A sessão também foi marcada por um momento de confronto político. O vereador Felipe Cortez lançou um desafio direto em plenário ao colega Neto Gomes, propondo que ambos apresentem um requerimento para que o prefeito Leandro Vilela revogue o decreto em vigor.

“Se foi um presente de Natal do ex-prefeito, então que o atual prefeito devolva esse presente revogando o decreto”, disparou Cortez, em tom crítico, expondo o desconforto dentro da própria base política.

Nos bastidores, o que se observa é uma tentativa de reposicionamento após o desgaste causado pela repercussão pública. A votação que aprovou as mudanças tributárias já havia sido alvo de críticas por falta de clareza e debate mais amplo com a população.

Embora tecnicamente os vereadores sustentem que não houve aumento do IPTU, especialistas e lideranças locais apontam que alterações no ITU e na base de cálculo podem, sim, resultar em cobrança maior — especialmente para proprietários de terrenos.

O episódio revela mais do que uma divergência entre IPTU e ITU. Ele expõe um distanciamento preocupante entre o discurso político e a percepção da população, que, no fim das contas, mede a política tributária pelo impacto direto no seu orçamento.

Ao tentar corrigir a narrativa, os vereadores acabaram reacendendo o debate, e deixando no ar uma pergunta inevitável: se não houve aumento, por que tanta pressa em explicar?

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