Deltan Dallagnol provoca Lula após acordo sobre sigilos: “Última vez que analisei documentos, foi parar na cadeia”
O ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo-PR) afirmou nesta quinta-feira (22/10) que, na última vez em que analisou documentos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista acabou preso. A declaração foi feita durante uma entrevista a jornalistas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A fala ocorreu após a campanha de Lula aceitar as 19 exigências apresentadas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois políticos.
“A última vez que eu fiz isso, Lula foi parar na cadeia”, declarou Dallagnol, em referência à sua atuação na Operação Lava Jato, investigação que levou à condenação e à prisão de Lula em processos posteriormente anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Acordo prevê abertura de sigilos
O entendimento entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro foi anunciado após divergências sobre as condições para a divulgação de informações financeiras, fiscais e telefônicas. Um dos pontos de impasse envolvia dados de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, citado em uma investigação da Polícia Federal que envolve o senador.
Apesar do acordo, os documentos ainda não foram divulgados. A abertura efetiva dos sigilos depende da análise dos pedidos apresentados à Justiça.
Histórico da Lava Jato
Dallagnol ganhou projeção nacional como integrante do Ministério Público Federal e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato. Na época, Lula foi condenado em processos relacionados à investigação e ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019.
Em 2021, o STF anulou as condenações do presidente relacionadas à Justiça Federal de Curitiba, ao concluir que a 13ª Vara Federal não tinha competência para julgar os casos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex do Guarujá.
A declaração de Dallagnol ocorre em meio à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, cujo segundo turno está marcado para domingo (25/10).




