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PF prende mãe e irmão do rapper Oruam em operação contra rede digital do tráfico

Operação Backbone investiga monopólio do fornecimento de internet imposto pelo Comando Vermelho em comunidades da zona norte do Rio de Janeiro. Justiça também determinou bloqueio de R$ 558 milhões em bens e valores.

PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra esquema de “internet do tráfico” no Rio

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (19) Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam, e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, filho do casal. As prisões ocorreram durante a Operação Backbone, que investiga um esquema de controle do fornecimento de internet atribuído ao Comando Vermelho (CV) em comunidades da zona norte do Rio de Janeiro.

A investigação mira a atuação da facção nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, onde, segundo a PF, integrantes do grupo impediam a concorrência de empresas regulares de telecomunicações para impor a contratação de provedores autorizados pela organização criminosa.

Até as 10h desta segunda-feira, outras 17 pessoas também haviam sido presas, segundo as informações divulgadas sobre a operação. Parte dos alvos já estava custodiada em unidades prisionais.

A reportagem que divulgou o caso informou ter procurado o advogado dos presos, mas não recebeu resposta até a publicação.

Investigação aponta cobrança e intimidação de moradores

De acordo com a Polícia Federal, integrantes armados do Comando Vermelho cortavam cabos e ateavam fogo a caixas de distribuição pertencentes a operadoras regulares e concorrentes. Os suspeitos também impediriam que técnicos realizassem reparos, criando dificuldades para a manutenção dos serviços.

Com a atuação dos criminosos, moradores e comerciantes ficariam pressionados a contratar a chamada “internet do tráfico”. Ainda conforme a investigação, provedores autorizados pelo grupo pagavam taxas mensais para operar nas comunidades.

A contabilidade atribuída à facção indica que, em um único mês, as cobranças relacionadas ao serviço de internet representaram mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

Para os investigadores, a exploração do serviço se tornou uma fonte importante de recursos para a organização e estaria relacionada à disputa pelo controle territorial, já que o domínio de novas comunidades ampliaria o número de consumidores submetidos ao esquema.

Justiça determina bloqueio de R$ 558 milhões

A operação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorrem no Rio de Janeiro e nos municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens e valores vinculados a 40 pessoas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades das empresas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, um escritório de contabilidade e empresas apontadas como de fachada.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser acionada para avaliar a cassação das autorizações dos provedores envolvidos e a interrupção dos serviços prestados por eles. Segundo a Polícia Federal, serão adotadas medidas para evitar que os moradores das regiões afetadas fiquem sem acesso à internet.

Mãe e irmão de Oruam já foram investigados

Márcia e Lucas já haviam sido alvo de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho, em abril deste ano, na qual Oruam também foi citado.

Naquele processo, Lucas teve a prisão preventiva decretada, mas obteve habeas corpus em agosto, concedido pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Com a decisão, ele passou a responder ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a denúncia anterior, o Ministério Público atribuía a Lucas a função de gestor financeiro secundário do núcleo familiar, com atuação no repasse de ordens e na administração de recursos suspeitos. Ele nega as acusações.

Marcinho VP, pai de Oruam e apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, está preso há quase três décadas e cumpre pena em uma unidade federal.

Quais crimes são investigados?

Os investigados na Operação Backbone podem responder, conforme a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, exploração clandestina de telecomunicações e lavagem de dinheiro, entre outros.

A ação integra a força-tarefa Missão Redentor 2, coordenada pela Polícia Federal para combater facções criminosas no Rio de Janeiro. A iniciativa segue diretrizes relacionadas à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, julgada pelo Supremo Tribunal Federal.

As investigações continuam para esclarecer a participação dos suspeitos e identificar a estrutura financeira e operacional do esquema.

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