Grupo pede investigação de Flávio Bolsonaro por imóvel de luxo e suspeita de uso indevido de patrimônio público
O coletivo Derrubando Muros encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para pedir a investigação do processo de regularização de um imóvel de luxo que passou a ser ocupado pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). O local era anteriormente ocupado pelo jogador Richarlison, atacante do Tottenham, da Inglaterra.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo e reproduzidas pelo Mais Goiás, o grupo aponta possíveis indícios de advocacia administrativa, suspeita relacionada ao eventual uso da influência ou da função pública para favorecer interesses particulares.
O terreno pertence à União, e o que havia sido negociado por Richarlison e seus sócios era o direito de ocupação da propriedade. De acordo com José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros, o caso envolve patrimônio público e, por isso, deve ser analisado pelas autoridades competentes.
“Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros”, afirmou Martins.

Disputa pelo imóvel envolve milhões de reais
A disputa pela propriedade se arrasta desde 2020. Segundo o relato de Richarlison, ele e outros parceiros investiram cerca de R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação do imóvel.
O jogador afirmou que, depois da negociação, surgiram interessados em comprar o local, entre eles Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, no sábado (17), o atleta alegou que, após se recusar a vender o imóvel, perdeu o direito de ocupação por meio de uma decisão judicial.
Em 2022, Richarlison e seus sócios foram surpreendidos por um mandado de reintegração de posse apresentado pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio.
De acordo com a representação encaminhada ao MPF, Willer Tomaz teria procurado o jogador, que recusou a abordagem. Posteriormente, segundo as alegações relatadas na denúncia, o advogado e o senador teriam apresentado à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) um pedido para regularizar o imóvel em favor de Flávio Bolsonaro.
O coordenador do coletivo afirma que o pedido teria sido aceito rapidamente, resultando na perda do direito de ocupação por Richarlison e na transferência da regularização para o senador. As circunstâncias dessa tramitação estão entre os pontos que o grupo quer ver esclarecidos.
Justiça arquivou processo em 2026
Conforme as informações divulgadas, uma sentença da Justiça do Rio de Janeiro extinguiu o processo em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, após a renúncia de uma das partes. Em janeiro de 2026, depois do trânsito em julgado, o processo foi arquivado.
O Derrubando Muros afirma que sua representação não busca atuar em nome de Richarlison nem garantir a posse do imóvel a uma pessoa específica. A iniciativa, segundo o grupo, pretende esclarecer a regularização de um patrimônio pertencente à União e verificar se houve alguma irregularidade administrativa.
O coletivo também questiona a demora na análise de procedimentos pela Secretaria do Patrimônio da União, responsável pela gestão dos bens federais.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
Em manifestações anteriores sobre o caso, Flávio Bolsonaro negou ter cometido irregularidades e afirmou manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz.
O senador também sustentou que adquiriu legalmente os direitos relacionados ao imóvel e que desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais. Ele classificou os antigos ocupantes como invasores.
A representação apresentada pelo coletivo pede que o Ministério Público Federal examine os fatos e avalie se há elementos que justifiquem uma investigação. A apresentação de uma denúncia, por si só, não comprova a prática de crime, e eventuais responsabilidades dependerão da análise das autoridades competentes.
O caso envolve, portanto, duas questões centrais: a disputa pelos direitos de ocupação do imóvel e a necessidade de esclarecer se os procedimentos administrativos relacionados a um bem da União ocorreram de forma regular.




