Cleitinho negocia apoio a Flávio Bolsonaro em troca de acordo sobre dívida de Minas e aliança para 2030
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), negocia com a campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) dois pontos considerados estratégicos para ampliar seu envolvimento na disputa eleitoral: a renegociação da dívida bilionária do estado com a União e o apoio à sua tentativa de reeleição em 2030.
Segundo interlocutores dos dois lados ouvidos pela CNN Brasil, Cleitinho quer garantias de que um eventual governo de Flávio trabalhará para encontrar uma solução para o endividamento mineiro e de que o grupo político do candidato apoiará sua permanência no comando do estado na próxima eleição estadual.
Apoio em 2030 envolve disputa com Nikolas Ferreira
Um dos principais pontos da negociação é o cenário eleitoral de 2030. Cleitinho deseja que Flávio Bolsonaro se comprometa a apoiar sua candidatura à reeleição em Minas Gerais.
Esse compromisso teria impacto direto sobre os planos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da direita no estado e aliado do bolsonarismo. Caso Cleitinho receba o apoio do grupo político de Flávio, Nikolas poderia ficar fora da disputa pelo governo mineiro.
Apesar das conversas, interlocutores da campanha presidencial afirmam que não há como garantir integralmente o apoio à reeleição de Cleitinho neste momento.
A relação entre Nikolas e integrantes da família Bolsonaro já passou por períodos de tensão. Durante a campanha deste ano, aliados do grupo relataram insatisfação com a demora do deputado em se engajar na disputa e com movimentos políticos relacionados à formação das candidaturas ao Senado em Minas.
No segundo turno, porém, Nikolas passou a liderar atos de apoio a Flávio, conhecidos como “bloquinho do Nikolas”, reforçando sua participação na campanha presidencial.
Dívida de R$ 180 bilhões é outro ponto central
A renegociação da dívida de Minas Gerais com a União também ocupa lugar de destaque nas conversas. O passivo estadual é estimado em R$ 180 bilhões, e Cleitinho quer que as condições de pagamento permitam que parte dos recursos seja direcionada a investimentos no próprio estado.
Em uma conversa realizada na semana anterior ao anúncio das negociações, o governador eleito pediu a Flávio que parte dos valores pagos por Minas fosse revertida em investimentos locais.
Flávio sinalizou disposição para ajudar na busca de uma solução. Durante a conversa, o candidato lembrou que havia apoiado uma emenda relacionada ao tema, posteriormente vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A campanha de Flávio indicou receptividade à proposta de renegociação, embora os detalhes de um eventual acordo ainda dependam de negociações políticas e da definição dos mecanismos para tratar a dívida.
Negociação combina interesses estaduais e eleitorais
As conversas entre Cleitinho e Flávio mostram como as articulações para a disputa presidencial também envolvem compromissos políticos com reflexos nas eleições estaduais futuras.
De um lado, Cleitinho busca apoio para enfrentar o endividamento de Minas Gerais e fortalecer seu projeto de continuidade no governo. Do outro, a campanha de Flávio tenta ampliar alianças entre lideranças da direita e consolidar apoio eleitoral no segundo turno.
Até o momento, os dois lados não anunciaram um acordo definitivo sobre a reeleição em 2030. A definição dependerá do avanço das negociações e da capacidade de Flávio de conciliar os interesses de Cleitinho com os de outras lideranças do campo bolsonarista em Minas Gerais.




