Violência, corrupção e economia: veja o que Lula e Flávio Bolsonaro prometem para o Brasil
A segurança pública, a corrupção e a economia estão entre as principais preocupações dos brasileiros e ocupam espaço de destaque nos planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputam o segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Levantamento divulgado pelo g1, com base em pesquisa Quaest realizada em 28 de setembro, aponta que a violência é a maior preocupação de 29% dos entrevistados. Em seguida aparecem a corrupção, com 21%, e a economia, citada por 19%.
Saúde, problemas sociais e educação também estão entre os assuntos que preocupam a população. Os temas foram considerados na comparação das propostas apresentadas pelos dois candidatos.
Violência e segurança pública
Na área da segurança, Flávio Bolsonaro apresenta propostas voltadas ao endurecimento das punições, à ampliação do sistema prisional e ao uso de tecnologia no combate à criminalidade.
O plano, denominado Brasil sem Medo, prevê a classificação de facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas, a redução da maioridade penal para 16 anos e a construção de presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador.
O candidato também propõe ampliar as vagas no sistema penitenciário, aumentar o orçamento federal destinado à segurança pública e implantar o projeto Muralha Brasileira, com previsão de um milhão de câmeras e utilização de reconhecimento facial.
Entre outras medidas, o plano prevê a criação de um sistema nacional de fronteiras para combater o tráfico de drogas e armas, além do endurecimento das penas para determinados crimes.
Lula, por sua vez, defende o fortalecimento das estruturas de investigação e inteligência, com foco no combate às organizações criminosas e no bloqueio de seus recursos financeiros e patrimoniais.
O candidato do PT propõe ampliar a atuação federal na segurança pública, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e avançar com a PEC da Segurança Pública, que busca reorganizar as atribuições da União, dos estados e dos municípios.
O plano também prevê o fortalecimento do sistema penitenciário federal, das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e de iniciativas como o Celular Seguro, voltado à proteção dos usuários em casos de roubo, furto ou perda de aparelhos.
Combate à corrupção
No combate à corrupção, Flávio Bolsonaro defende uma reforma administrativa com redução da estrutura do governo e revisão de mecanismos de gestão pública.
Entre as propostas estão o corte de dez ministérios, a redução de cargos comissionados e o combate aos supersalários e benefícios adicionais no funcionalismo público.
O candidato também propõe ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares, revisar o pacto federativo, fortalecer a Lei das Estatais e retomar o Programa Nacional de Desestatização.
O plano inclui ainda medidas de combate a fraudes na Previdência, o fim da reeleição presidencial e mudanças no funcionamento do Judiciário.
Lula apresenta propostas voltadas à transparência administrativa e ao controle dos gastos públicos. O plano prevê a continuidade do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027, além da modernização do Portal da Transparência, com utilização de inteligência artificial e dados abertos.
O petista também defende medidas para combater distorções no orçamento federal, enfrentar o chamado orçamento secreto e rever o modelo de execução das emendas parlamentares.
Economia, impostos e geração de empregos
Na economia, Flávio Bolsonaro aposta na redução de despesas públicas, no ajuste fiscal e na diminuição de impostos sobre o consumo e a produção.
O plano prevê a revisão da Reforma Tributária e a adoção do chamado Tesouraço, conjunto de medidas destinado a reduzir gastos governamentais e buscar o equilíbrio das contas públicas.
Outra proposta é o programa Ganha, Ganha, que prevê benefícios para brasileiros que realizarem cursos de capacitação e mantiverem os pagamentos em dia. Entre as vantagens mencionadas estão juros menores, acesso facilitado ao crédito e descontos em serviços.
O candidato também propõe reduzir a burocracia para empresas, retomar privatizações e criar modalidades de contratação com custos menores para empregadores, especialmente para jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores com mais de 50 anos.
Lula defende a manutenção do atual arcabouço fiscal, com a busca pelo equilíbrio das contas públicas e a preservação dos investimentos sociais.
O plano prevê medidas de justiça tributária, incluindo a tributação de recursos mantidos em offshores e fundos exclusivos, além da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
Na geração de empregos, o candidato do PT propõe manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação, apoiar o fim da escala de trabalho 6×1 com redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição salarial e regulamentar o trabalho por aplicativos com garantias previdenciárias.
O programa também prevê ampliar o acesso ao crédito para pequenos empreendedores, fortalecer a indústria nacional e estimular investimentos em infraestrutura, inovação e transição energética.
Saúde: propostas para ampliar o atendimento
Na saúde, Flávio Bolsonaro propõe digitalizar o Sistema Único de Saúde (SUS), com a criação de um prontuário eletrônico único e o uso de inteligência artificial para facilitar o agendamento de consultas e procedimentos.
O plano também prevê a revisão dos valores pagos pelo SUS por atendimentos, a contratação de serviços e exames na rede privada em horários ociosos e a ampliação da telemedicina.
Entre as medidas apresentadas estão a entrega de medicamentos em domicílio para idosos e pacientes com doenças crônicas, além da criação de unidades móveis de atendimento voltadas à saúde da mulher.
Lula pretende ampliar programas já existentes, como Mais Médicos, Brasil Sorridente e Farmácia Popular. O plano também prevê a modernização do SUS, a integração dos prontuários dos pacientes e o fortalecimento da atenção básica.
Outra prioridade é ampliar o programa Agora Tem Especialistas, com mutirões, atendimento em horários adicionais e parcerias com hospitais privados para reduzir filas de exames, consultas e cirurgias.
O candidato também propõe ampliar os centros especializados no diagnóstico e tratamento do câncer e fortalecer a produção nacional de medicamentos e insumos de saúde.
Assistência social, moradia e combate à desigualdade
Na área social, Flávio Bolsonaro afirma que pretende manter os programas existentes, mas com maior incentivo à qualificação profissional e à entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.
O plano prevê prioridade na contratação de pessoas inscritas em programas sociais e mecanismos para facilitar o retorno ao benefício em caso de perda do emprego.
O candidato também propõe restringir o uso de recursos de programas sociais em apostas, criar uma rede de cuidados para idosos e pessoas com deficiência e incentivar adaptações nas residências para proporcionar mais segurança à população idosa.
Na habitação, prevê a retomada do programa Casa Verde e Amarela, além da regularização de propriedades urbanas e rurais.
Lula defende a continuidade e a ampliação do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. O plano inclui iniciativas de urbanização de periferias, melhorias habitacionais, saneamento básico e contenção de encostas.
O candidato também propõe ampliar cozinhas solidárias, cuidotecas e lavanderias públicas, além de fortalecer políticas voltadas às mulheres, com medidas de enfrentamento ao feminicídio e expansão da rede de atendimento às vítimas de violência.
As propostas incluem ainda ações de promoção da igualdade racial e ampliação de políticas públicas destinadas aos povos indígenas.
Educação: creches, escolas e ensino profissionalizante
Na educação, Flávio Bolsonaro defende ampliar a oferta de creches, priorizar o método fônico na alfabetização e adotar metas de desempenho para as escolas.
O plano prevê a criação de mecanismos de acesso à rede privada quando não houver vagas suficientes na rede pública, incluindo propostas de voucher-creche e voucher educacional.
O candidato também propõe ampliar escolas cívico-militares, apoiar o ensino em tempo integral e investir em tecnologia nas unidades escolares, com tablets, computadores, robótica e acesso à internet.
No ensino superior, pretende reestruturar o financiamento estudantil e incentivar a participação da iniciativa privada na oferta de bolsas e na formação técnica.
Lula concentra suas propostas na ampliação da rede pública de ensino, na construção de creches e escolas e no fortalecimento dos Institutos Federais.
O plano prevê a continuidade do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a expansão da educação em tempo integral e a manutenção de programas de incentivo à permanência dos estudantes, como o Pé-de-Meia.
Também estão previstas a valorização dos profissionais da educação, a ampliação do acesso à internet de alta velocidade nas escolas públicas e a expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica.
Dois projetos para os principais problemas do país
A comparação dos planos de governo mostra diferenças nas estratégias apresentadas pelos candidatos para enfrentar os principais desafios nacionais.
Flávio Bolsonaro prioriza o endurecimento das medidas de segurança, a redução da estrutura administrativa, a revisão de impostos e a ampliação de mecanismos de participação privada em diferentes setores.
Lula aposta na continuidade e na expansão de programas públicos, no fortalecimento das estruturas federais de segurança, na ampliação de políticas sociais e em investimentos na indústria, na educação e na saúde.
As propostas apresentadas nos planos de governo indicam as prioridades de cada candidatura, mas sua implementação dependerá de decisões administrativas, disponibilidade de recursos e, em diferentes casos, da aprovação do Congresso Nacional.
Para os eleitores, conhecer as medidas previstas em cada programa é uma forma de comparar os projetos e avaliar quais caminhos os candidatos defendem para o futuro do Brasil.




