Riqueza mineral do Brasil entra no centro de debate que pode mudar o setor
Discussões em Brasília colocam minerais críticos e terras raras no centro das estratégias para ampliar investimentos, tecnologia e beneficiamento no Brasil
Uma rodada de discussões iniciada nesta semana em Brasília coloca em evidência o papel do Brasil na corrida internacional por minerais críticos e terras raras. O debate ocorre em um momento em que esses recursos ganharam importância estratégica para setores como tecnologia, energia, indústria e veículos elétricos.
O Brasil parte de uma posição relevante nesse cenário. Dados apresentados pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apontam que o país possui cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o que o coloca entre os países com maiores reservas conhecidas do mundo.
As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas. Segundo o Ministério de Minas e Energia, esses minerais estão presentes em produtos como smartphones, computadores, equipamentos médicos, veículos elétricos e sistemas de geração de energia.
Apesar do potencial geológico, o desafio brasileiro está em ampliar a capacidade de transformar as reservas em produtos de maior valor agregado. A cadeia envolve etapas como extração, beneficiamento, separação, refino e fabricação de componentes utilizados pela indústria tecnológica.
Atualmente, a China concentra grande parte dessa cadeia mundial. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), o país responde por aproximadamente 60% da produção mundial de terras raras, além de concentrar cerca de 85% a 90% do refino e aproximadamente 90% da produção de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro (NdFeB).
No Brasil, uma das áreas que já ganhou destaque está em Minaçu, em Goiás, onde entrou em operação um projeto de extração de terras raras. Dados da ANM também apontam ocorrências e reservas em estados como Minas Gerais, São Paulo, Amazonas e Rondônia, além de Goiás.
Nova política para minerais críticos
O debate ocorre após a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A Lei nº 15.506/2026 foi sancionada em setembro e estabeleceu diretrizes para pesquisa, produção, beneficiamento e transformação mineral no país. A legislação também criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).
A política busca estimular o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional, com maior agregação de valor aos recursos minerais. Entre os objetivos estão o fortalecimento da pesquisa, da transformação mineral, da formação profissional e da capacidade industrial brasileira.
Para especialistas do setor, o potencial mineral, por si só, não garante a participação brasileira nas etapas mais sofisticadas da cadeia. O país ainda precisa ampliar investimentos em tecnologia, instalações de separação e refino e na fabricação de produtos derivados das terras raras.
Nesse contexto, a rodada de discussões em Brasília ocorre em uma etapa de definição de estratégias para o setor. O debate envolve não apenas a exploração das reservas existentes, mas também a forma como o Brasil poderá desenvolver conhecimento, tecnologia e capacidade industrial a partir de seus recursos minerais.
A discussão coloca no centro uma questão que vai além da extração: como transformar a riqueza mineral existente no território brasileiro em uma cadeia produtiva capaz de gerar tecnologia, investimentos e produtos de maior valor agregado.




