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Vítimas de fisioterapeuta enfrentam dificuldades para tratar lesões: “Para onde a gente vai?”

Após lesões, vítimas de fisioterapeuta relatam dificuldade para encontrar médicos

Vítimas de fisioterapeuta enfrentam dificuldades para conseguir tratamento após procedimentos estéticos

Mulheres que afirmam ter sofrido lesões após procedimentos estéticos realizados pela fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, investigada pela Polícia Civil, relatam estar enfrentando uma nova dificuldade: encontrar médicos dispostos a tratar as complicações provocadas após os atendimentos.

Uma das vítimas, identificada nesta reportagem como Rosa Silva, conta que procurou dermatologista, mastologista e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) depois de desenvolver dores intensas, inchaço, caroços no rosto, além de secreção e pus nos seios. Segundo ela, mesmo após diferentes tentativas, ainda não conseguiu acompanhamento médico capaz de solucionar os problemas.

“O SUS não quer nos ajudar. A gente vai lá, na hora que ele olha, que a gente conta a situação, já manda embora. O particular do mesmo jeito. Como é que a gente vai fazer agora? Para onde a gente vai?”, questionou.

Rosa afirma que tem arcado com consultas, exames e medicamentos por conta própria. Segundo ela, tanto na rede pública quanto na particular, tem encontrado dificuldades para conseguir um acompanhamento adequado.

A Polícia Civil investiga Magda e informa que já recebeu relatos de 12 possíveis vítimas.

Procedimentos e início das complicações

Rosa procurou Magda no dia 21 de agosto para realizar uma harmonização facial e um procedimento nos seios com uso de plasma retirado do próprio sangue e fios de sustentação. Ela também havia contratado a aplicação de 4 ml de ácido hialurônico no rosto.

A vítima conta que já havia realizado outro procedimento com a fisioterapeuta e que, por isso, confiava no trabalho dela.

Segundo Rosa, no dia seguinte aos procedimentos, o rosto e os seios ficaram bastante inchados. Ao entrar em contato com Magda, teria recebido a informação de que a reação seria normal e desapareceria em cerca de 30 dias.

A fisioterapeuta teria indicado medicamentos e afirmado que Rosa poderia viajar e trabalhar normalmente.

Cerca de uma semana depois, porém, o quadro nos seios teria piorado. A vítima relata que começou a sentir fortes dores, apresentou bolhas, febre e passou a perceber a saída de pus.

Rosa afirma que procurou novamente Magda e recebeu orientação para fazer compressas com água morna e utilizar antibióticos.

Em uma consulta no consultório da fisioterapeuta, segundo a vítima, foram feitas perfurações nos dois seios para retirar a secreção. Ela afirma que recebeu três doses de anestésico, mas que os medicamentos não teriam surtido efeito.

Mesmo após o procedimento, Rosa diz que continuou sentindo dores e apresentando secreção.

Complicações também atingiram o rosto

Os problemas também teriam surgido na região facial. Rosa relata sentir dores intensas durante todo o dia e afirma ter percebido caroços nas têmporas, mandíbula e bochechas.

“Sinto como se estivesse espremendo e comprimindo o meu cérebro, e a dor é tanta que dói para comer, conversar e não consigo nem abrir a boca para escovar os dentes”, relatou.

Na tentativa de buscar tratamento, ela procurou uma dermatologista. Segundo Rosa, a profissional optou por não realizar uma intervenção, devolveu o valor da consulta e recomendou que ela procurasse outros especialistas.

A vítima afirma que também tentou conseguir atendimento com outros médicos, mas encontrou dificuldades para marcar consultas.

Ela passou ainda por um mastologista, realizou mamografia e ultrassom e recebeu orientação para continuar fazendo compressas mornas, retirar a secreção e retornar posteriormente enquanto fazia uso de antibiótico.

Rosa afirma, porém, que não consegue realizar a compressão em casa devido às dores.

Atendimento em UPA

Sem conseguir solucionar o problema, a vítima procurou a UPA Buriti Sereno. Segundo ela, ao informar aos profissionais que havia realizado o procedimento com Magda, um dos médicos teria perguntado imediatamente se o caso era relacionado à fisioterapeuta.

Na unidade, de acordo com Rosa, outro profissional realizou perfurações no rosto para retirar a secreção. Ela afirma que não havia anestésico disponível no momento e que sentiu fortes dores durante o procedimento.

“Eu gritei desesperadamente de dor. Saiu uma grande quantidade de pus e sangue antigo, que chegou a sujar a roupa dos médicos. Depois, a dor diminuiu por um período, mas o rosto voltou a encher, principalmente nas têmporas e na mandíbula”, relatou.

“Agora é caso de saúde”

Rosa afirma que as consequências dos procedimentos já afetam diretamente sua rotina profissional e sua vida financeira.

“Agora nem é caso de estética, é de saúde mesmo porque está atrapalhando no meu próprio trabalho. Como que eu vou trabalhar agora depois disso? Eu trabalho viajando. Como que eu vou fazer agora?”

A vítima também relata dificuldades para custear o tratamento. Segundo ela, consultas particulares, exames e medicamentos têm sido pagos com recursos próprios.

“Pra mim fazer esse procedimento, eu tive que guardar o dinheiro. São procedimentos caros. E agora? Vai ficar mais caro ainda e eu não tenho condição de arcar com toda despesa, porque é consulta particular, é remédio que tem que tirar do bolso, é exame, tudo é particular”, afirmou.

Atualmente, Rosa diz que precisa usar chapéu para esconder o rosto e curativos nos seios por causa da secreção.

“Hoje estou sem conseguir trabalhar direito, tendo que usar chapéu para esconder o rosto e curativos nos seios por conta da secreção que vaza. Minha autoestima acabou, estou me sentindo destruída como mulher. Só quero resolver essa situação e que ela pague na Justiça por tudo o que fez comigo e com as outras vítimas”, desabafou.

A mulher também afirma que quer descobrir qual substância foi utilizada durante os procedimentos.

“Eu quero saber o que ela realmente injetou em mim.”

Polícia Civil investiga 12 possíveis vítimas

A Polícia Civil investiga Magda Oliveira da Silva por suspeitas relacionadas à realização de procedimentos estéticos que, segundo relatos apresentados à investigação, teriam provocado lesões em pacientes.

Os casos relatados envolvem procedimentos realizados nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.

Segundo a polícia, 12 possíveis vítimas já procuraram as autoridades. O delegado Alex Rodrigues informou que sete haviam sido identificadas inicialmente e outras cinco procuraram a polícia posteriormente.

A investigação reúne relatos de cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes. Documentos médico-legais analisados pelos investigadores também apontariam lesões provocadas por cortes ou calor.

Magda foi presa durante uma operação da Polícia Civil em 21 de setembro. No dia seguinte, a prisão foi mantida pela 4ª Vara de Garantias de Goiânia, durante audiência de custódia.

A investigação aponta que Magda é fisioterapeuta e possui formação complementar em procedimentos de harmonização facial, corporal e íntima. A polícia também apura se ela teria realizado atividades que poderiam caracterizar o exercício irregular de outra profissão, incluindo a prescrição e o fornecimento de medicamentos.

Defesa

A defesa de Magda informou que o processo tramita em segredo de Justiça e, por esse motivo, não comentará detalhes do caso fora do processo.

Em nota, a assessoria afirmou que a fisioterapeuta “reitera sua total confiança nas instituições e no Poder Judiciário” e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.

A defesa também informou que se manifestará exclusivamente nos autos do processo.

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