MPCE se manifesta pela liberdade do namorado de Isabelle Caracristi
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) emitiu, nesta quarta-feira (30/9), parecer favorável ao pedido de liberdade de João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no pátio do condomínio onde o casal morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza.
Bacharel em Direito, João Munhoz está preso preventivamente desde 22 de setembro, sob suspeita de exercer violência psicológica contra a jovem e de induzi-la ao suicídio. O pedido de soltura foi apresentado pela defesa e agora será analisado pela Justiça, que decidirá se acompanha ou não a manifestação do Ministério Público.
Medidas cautelares
O parecer do MPCE é favorável à liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as condições propostas estão:
- Comparecimento mensal obrigatório à Central de Alternativas Penais;
- Proibição de deixar a comarca de Fortaleza e obrigação de manter o endereço atualizado;
- Comparecimento a todos os atos e audiências judiciais para os quais for intimado;
- Recolhimento domiciliar no período noturno;
- Uso de tornozeleira eletrônica.
Investigações continuam
A morte de Isabelle ocorreu na noite de 13 de setembro. Desde então, a Polícia Civil do Ceará já ouviu 28 testemunhas e a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu 13 laudos periciais.
Ao todo, 20 peritos e auxiliares participam das investigações. O caso é conduzido pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Celulares, outros dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras de segurança continuam sendo analisados. A polícia também realiza novas diligências para esclarecer as circunstâncias da morte e reconstruir a cronologia dos acontecimentos que antecederam o óbito.
Testemunhas são ouvidas
Entre as pessoas ouvidas pela polícia estão uma diarista, a síndica do condomínio e a ex-mulher de João Munhoz Neto. Os depoimentos foram colhidos nos últimos dias.
A ex-mulher prestou depoimento no sábado (26/9). Legalmente, os dois ainda são casados, mas a defesa de João Munhoz afirma que eles já estavam separados de fato quando ele iniciou o relacionamento com Isabelle.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o que ocorreu após a morte da universitária. No dia seguinte ao episódio, o apartamento onde Isabelle morava com o namorado teria sido limpo e colocado à venda.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, João Munhoz teria impedido a entrada de familiares de Isabelle no condomínio e não estaria colaborando com as investigações.




