Na ONU, Lula sobe o tom sobre soberania e afirma: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou nesta terça-feira (22) a defesa da soberania brasileira durante o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula criticou a interferência externa em assuntos internos e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
A declaração ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, Lula defendeu que os países da região tenham autonomia para definir seus próprios caminhos e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre as nações.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento”, declarou o presidente durante o discurso.
Lula também afirmou que a democracia está novamente “em xeque” e criticou o que chamou de “ingerência externa em processos eleitorais”. Segundo o presidente, a divisão do mundo em zonas de influência e as disputas por recursos estratégicos representam práticas que não deveriam prevalecer nas relações internacionais.
Críticas ao Tribunal Penal Internacional
Durante o pronunciamento, Lula também abordou o Tribunal Penal Internacional (TPI) e criticou iniciativas contra a Corte.
“Perseguir o TPI é o estímulo para que esses crimes fiquem impunes”, afirmou.
O presidente defendeu o fortalecimento das instituições multilaterais e destacou a necessidade de mecanismos internacionais capazes de responsabilizar autores de crimes e violações do direito internacional.
Lula critica guerras e defende diplomacia
O presidente também criticou o avanço dos conflitos armados e afirmou que a ONU atravessa um dos momentos mais críticos de sua história.
Ao tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula defendeu a diplomacia como caminho para a solução do conflito. Sobre a guerra em Gaza, criticou a atuação de Israel e fez referência às vítimas palestinas e israelenses.
Em outro trecho, Lula afirmou que o mundo precisa superar a lógica das zonas de influência e buscar maior cooperação entre os países.
Reunião com secretário-geral da ONU
Antes do discurso, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da organização.
Nas redes sociais, o presidente afirmou que defenderia um Brasil soberano, que respeita outras nações e exige respeito, além de destacar a importância da paz, do diálogo e da cooperação internacional.
O discurso de Lula ocorre poucos dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras e incluiu temas como democracia, crime organizado, mudanças climáticas, inteligência artificial e conflitos internacionais.




