Pai se emociona ao lembrar filha morta durante tentativa de estupro no Paraná: ‘Ela ensinava a gente a viver’
A morte de Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, completa uma semana nesta sexta-feira (18). A jovem foi assassinada a facadas após reagir a uma tentativa de estupro enquanto trabalhava em uma academia de Londrina, no Norte do Paraná.
Uma semana após o crime, a família ainda tenta lidar com a perda e mantém vivas as lembranças da jovem. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o pai de Thaissa, Edivaldo Marques, se emocionou ao falar sobre a filha, que estava no último ano da faculdade de Nutrição.
“A minha filha respeitava a família inteira. Minha filha estava ensinando a gente a viver. A gente aprendeu muito com a Thaissa. A gente vai sentir muita falta dela, do carinho dela”, afirmou o pai.
Thaissa era a caçula da família e, segundo os parentes, gostava de estudar. Além da graduação em Nutrição, ela prestava vestibular para cursar Direito.
Para a família, o desejo de ingressar em uma nova faculdade demonstrava a determinação da jovem. Após a morte, os parentes afirmam que passaram a buscar justiça pelo crime.
“A gente quer justiça, porque ela não vai voltar com a gente. Que ele pague o que fez, porque ele estava consciente”, declarou Edivaldo.
O pai também relembrou a última conversa que teve com Thaissa no dia do crime. Segundo ele, a jovem estava a caminho do trabalho quando se despediu dizendo: “Papai, fica com Deus”.
Suspeito está preso
Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), Gabriel de Andrade, de 21 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia do assassinato.
Após o crime, o suspeito deixou a academia e parou em uma rua próxima ao estabelecimento porque estava com ferimentos na mão. Ele teria dito inicialmente a pessoas que o socorreram que havia sido vítima de um assalto.
O Samu e a Polícia Militar foram acionados para atender à ocorrência. Enquanto as equipes estavam no local, trabalhadores que foram até a academia encontraram manchas de sangue e comunicaram o caso à polícia.
Os agentes foram até o estabelecimento e encontraram o corpo de Thaissa. Segundo a polícia, Gabriel foi questionado e confessou o crime.
Ainda conforme a Polícia Civil, o homem declarou que pretendia estuprar a jovem e que, após não conseguir consumar o ato, a matou.
Gabriel foi preso em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro. Ele permanece preso.
Durante o depoimento, porém, o suspeito teria apresentado versões contraditórias e afirmado não se lembrar de detalhes do ocorrido, dizendo recordar apenas que esteve na academia onde o crime aconteceu.
Defesa afirma que suspeito tem TEA
O advogado Antônio Magalhães, que representa Gabriel, afirmou que acompanha o caso e aguarda o avanço das investigações.
Em nota, a defesa informou que o acusado possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que a condição deve ser considerada pelas autoridades na análise individualizada do caso.
O advogado ressaltou que a defesa não pretende utilizar o diagnóstico como justificativa para o crime nem estabelecer relação entre autismo e violência.
Segundo a defesa, o objetivo é garantir que as condições pessoais e comportamentais do acusado no momento dos fatos sejam analisadas de forma técnica, inclusive por meio de avaliação especializada, se necessário.
A defesa também afirmou que Gabriel colaborou com as autoridades e prestou esclarecimentos. O advogado destacou que todas as circunstâncias deverão ser analisadas durante o processo, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Enquanto permanece custodiado, a defesa pede ainda que sejam adotadas medidas adequadas à condição do acusado, incluindo assistência compatível com o diagnóstico informado.
A investigação continua sob responsabilidade das autoridades policiais.




