HomeCidadesNegócio em família: agiotas são alvo de operação por ameaças e extorsão

Negócio em família: agiotas são alvo de operação por ameaças e extorsão

Polícia Civil apreendeu quase R$ 10 mil e centenas de documentos; vítimas relataram juros de até 20% ao mês, ameaças e cobranças intimidatórias

Família é alvo de operação por suspeita de agiotagem, ameaças e extorsão em Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (18), a Operação Broken Chain contra três integrantes de uma família suspeita de manter um esquema de agiotagem em Cuiabá. Segundo as investigações, o grupo cobrava juros de até 20% ao mês em empréstimos informais e utilizava ameaças e pressão psicológica para cobrar as vítimas.

A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão e três medidas cautelares diversas da prisão. As ordens foram executadas em uma casa localizada em um condomínio de luxo, no bairro Morada dos Nobres, e em outro imóvel no bairro Recanto dos Pássaros.

Vítimas relatam ameaças durante cobranças

De acordo com a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), os investigados realizavam empréstimos informais utilizando cheques e notas promissórias como garantia.

Em alguns casos, os juros cobrados chegavam a 20% ao mês. As vítimas ouvidas pela polícia relataram cobranças intimidatórias, ameaças, pressão psicológica e abordagens em residências e locais de trabalho.

Em um dos casos investigados, uma vítima afirmou ter recebido R$ 5 mil emprestados e pago cerca de R$ 8,5 mil. Mesmo após os pagamentos, teria sido cobrada posteriormente em mais R$ 14 mil.

A investigação também apura o possível uso de terceiros para realizar as cobranças e a utilização de títulos de crédito em processos judiciais contra possíveis vítimas.

Dinheiro e documentos são apreendidos

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam R$ 9.970 em dinheiro, além de centenas de documentos.

Entre o material recolhido estavam dezenas de notas promissórias e listas com números e informações sobre processos judiciais movidos contra possíveis vítimas do esquema.

Todo o material será analisado pela equipe da Decon e poderá ajudar na identificação de outras pessoas que tenham sido vítimas do grupo e na apuração da dimensão da atividade investigada.

Investigados ficam proibidos de cobrar empréstimos

Além das buscas, a Justiça determinou que os três investigados não mantenham contato, direta ou indiretamente, com vítimas e testemunhas e permaneçam a pelo menos 200 metros delas.

Também foi determinada a suspensão de qualquer atividade relacionada à oferta, concessão, intermediação, negociação ou cobrança de empréstimos com juros, inclusive por meio de empresas, terceiros, redes sociais ou aplicativos de mensagens.

Os suspeitos são investigados pelos crimes de usura pecuniária, conhecida como agiotagem, e associação criminosa. A Polícia Civil também apura a possível ocorrência de outros delitos, entre eles extorsão.

Polícia orienta vítimas a denunciar

O delegado Rogério Ferreira, titular da Decon, orientou pessoas que tenham sido vítimas de agiotagem com ameaças ou violência a procurar a Polícia Civil e registrar boletim de ocorrência.

Segundo ele, documentos relacionados aos empréstimos, pagamentos e cobranças, além do depoimento de diferentes vítimas, podem ser importantes para comprovar a repetição das condutas investigadas.

A polícia também informou que eventual descumprimento das medidas judiciais ou a descoberta de ligação dos investigados com organizações criminosas poderá levar à adoção de medidas cautelares mais rigorosas.

Nome da operação

O nome Broken Chain, que significa “corrente quebrada”, faz referência ao objetivo da investigação de interromper o ciclo de endividamento, dependência e intimidação que pode atingir vítimas de agiotagem.

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