Bolsa Família vira aposta de Lula para tirar eleição do foco da crise no STF
O reajuste do Bolsa Família, defendido há algumas semanas por setores do Ministério da Fazenda como uma forma de melhorar a percepção do eleitor sobre a economia, acabou sendo confirmado em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Dentro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, a avaliação é de que a medida pode ajudar a deslocar o debate eleitoral para a área social e econômica, afastando a disputa da crise no Supremo, tema que vem gerando desgaste para o governo.
Crise no STF mudou estratégia da campanha
A atuação do ministro Flávio Dino no Supremo, especialmente após pedir vista em um julgamento relacionado à abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, dificultou a narrativa adotada por Lula de que todos os envolvidos em possíveis irregularidades deveriam ser investigados.
Dino é um dos ministros do STF mais associados ao presidente. Antes de chegar à Corte, foi ministro da Justiça durante o primeiro biênio do atual governo e teve atuação destacada nas medidas adotadas após os ataques de 8 de janeiro.
Com isso, integrantes da campanha de Lula passaram a buscar uma mudança na pauta eleitoral, priorizando temas com maior impacto direto na vida da população.
Medida alcança milhões de brasileiros
O Bolsa Família atende mais de 19 milhões de famílias e alcança aproximadamente 50 milhões de pessoas, o equivalente a cerca de um quarto da população brasileira.
O reajuste ocorre a poucos dias do primeiro turno e já provoca críticas de setores que questionam o impacto da medida sobre as contas públicas. No entorno de Lula, porém, a avaliação é de que o debate fiscal já faz parte das críticas tradicionais ao governo e que o benefício pode ajudar a recuperar a atenção do eleitor para a área social.
A mudança também ocorre em um momento em que pesquisas eleitorais apontam insatisfação com a economia, apesar de indicadores como inflação e desemprego apresentarem números considerados positivos.
Flávio Bolsonaro evita confronto com reajuste
Outro efeito político apontado pela campanha de Lula é o impacto da medida sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. A avaliação entre os aliados do presidente é de que uma reação contrária ao reajuste poderia gerar desgaste junto aos milhões de beneficiários do programa.
A coordenação da campanha de Flávio, por sua vez, afirmou que não pretende atuar contra uma medida que beneficia um número expressivo de brasileiros.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, criticou a política fiscal do governo e afirmou que a estratégia da oposição será questionar os efeitos das decisões econômicas sobre as contas públicas e os juros.
Ação de Zé Trovão chegou ao TSE
Apesar da posição da coordenação da campanha, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste.
O processo, porém, foi extinto pelo ministro André Mendonça, que entendeu que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar esse tipo de ação. A iniciativa foi tratada como uma decisão individual de Zé Trovão, mas acabou gerando repercussão no campo político ligado a Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, a campanha de Lula passou a tentar alterar o tom do debate eleitoral. Diante do espaço ocupado por Flávio Bolsonaro na discussão sobre a crise no STF, articuladores do PT voltaram a explorar críticas à gestão de Jair Bolsonaro e também retomaram ataques ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após novas críticas ao Brasil relacionadas ao combate ao tráfico de drogas.




