Vorcaro buscou apoio de Gilmar em pauta bilionária, mas recebeu voto contrário
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de abril de 2024. O encontro, revelado pela Folha de S. Paulo e confirmado pela CNN, ocorreu no gabinete do ministro, na sede do Supremo.
Segundo Gilmar Mendes, a audiência contou com a presença de advogados do Banco Master e ocorreu em ambiente institucional. O ministro afirmou ainda que a reunião tratou de uma causa relacionada ao setor sucroalcooleiro, que envolvia o pagamento de precatórios.
Na época, o Banco Master mantinha em sua carteira bilhões de reais em créditos relacionados a precatórios — dívidas de governos cujo pagamento já havia sido determinado pela Justiça.
A questão tinha potencial de envolver valores bilionários. Segundo estimativa da Advocacia-Geral da União (AGU), divulgada no ano passado, o impacto atualizado para a União de indenizações ainda não pagas ao setor sucroalcooleiro chegava a R$ 145 bilhões.
Gilmar diz que reunião ocorreu de forma institucional
De acordo com a nota divulgada pelo ministro, o encontro aconteceu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete dele no STF.
Gilmar afirmou que o empresário Chiquinho Feitosa, que à época era seu cunhado, teria intermediado o encontro, mas negou ter conhecimento de qualquer tratativa privada entre Feitosa e Vorcaro.
O ministro também ressaltou que a audiência contou com a participação dos advogados do Banco Master e que o recebimento de advogados em seu gabinete é uma prerrogativa prevista na legislação.
Ministro votou contra os interesses do Banco Master
Apesar da reunião, Gilmar Mendes afirmou que seus votos nos processos relacionados ao setor sucroalcooleiro não favoreceram os interesses atribuídos ao Banco Master.
No processo ARE 1327995, relatado pelo ministro Edson Fachin, Gilmar votou contra o pagamento do precatório. O julgamento ocorreu na Segunda Turma do STF em junho de 2025, e o ministro ficou vencido, acompanhado por André Mendonça.
A posição também teria sido mantida em outros processos envolvendo empresas do setor.
No ARE 1312127, relacionado à Raízen, Gilmar votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vencedora em setembro de 2024.
No caso da Jalles Machado, processo ARE 1392660, o ministro também votou duas vezes contra o pagamento à empresa, em agosto de 2024 e agosto de 2025, ficando vencido nas duas ocasiões.
Em outro processo envolvendo a Raízen, o ministro pediu destaque em agosto de 2025, interrompendo o julgamento. Já na STP 976-ED, votou contra a liberação de um precatório superior a R$ 5 bilhões.
Em nota, Gilmar Mendes reforçou que, em nenhum dos processos citados, votou em favor dos interesses atribuídos à instituição financeira.
Nota de Gilmar Mendes
O ministro também afirmou que não foi procurado diretamente por Vorcaro para tratar dos assuntos mencionados e declarou não responder por relações privadas ou profissionais de seu ex-cunhado.
A reunião, portanto, ocorreu antes de julgamentos em que Gilmar Mendes adotou posição contrária ao pagamento dos precatórios defendido pelas empresas do setor, segundo a própria manifestação do ministro.




