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Flávio busca distância de Eduardo nos EUA diante de temor de desgaste político

QG de Flávio teme desgaste e busca se afastar de articulação de Eduardo nos EUA

Flávio tenta se descolar de Eduardo nos EUA em meio a temor de desgaste

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, busca se distanciar das recentes ações do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. Segundo informações de bastidores divulgadas pela CNN Brasil, a estratégia é reforçar que Eduardo tem autonomia e não atua de forma coordenada com a campanha presidencial.

A movimentação ocorre em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (16), Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram com integrantes do governo de Donald Trump, em Washington, e defenderam a adoção de sanções contra os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

A ofensiva do grupo nos Estados Unidos preocupa integrantes da campanha de Flávio porque pode entrar em choque com a estratégia adotada pelo candidato em relação ao Judiciário. O senador tem concentrado críticas em Moraes e Dino, mas também procura sinalizar uma defesa institucional do STF.

Estratégia de aproximação com o STF

De acordo com a reportagem, aliados de Flávio avaliam que as iniciativas de Eduardo podem dificultar a tentativa do candidato de construir canais de diálogo com ministros do Supremo.

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, chegou a se reunir com o ministro Gilmar Mendes antes do ato de 7 de Setembro, em São Paulo. A intenção, segundo a CNN, era transmitir a mensagem de que as críticas direcionadas a determinados ministros não representariam uma posição contra o STF como instituição.

Flávio também passou a adotar um discurso de defesa das instituições. Em declaração feita na quarta-feira (16), durante um comício no Recife, afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende “proteger” o STF, embora tenha voltado a criticar ministros da Corte.

Eduardo fala em possível não reconhecimento de eleição

Enquanto Flávio tenta estabelecer uma postura própria em relação ao Judiciário, Eduardo voltou a fazer declarações sobre o processo eleitoral brasileiro durante sua passagem pelos Estados Unidos.

Na quinta-feira (17), o ex-deputado afirmou que os ministros do STF poderiam eventualmente não reconhecer uma vitória de Flávio na eleição presidencial. Segundo Eduardo, nessa hipótese, os Estados Unidos poderiam adotar sanções individuais contra magistrados brasileiros.

Eduardo e Paulo Figueiredo afirmaram ainda que levaram a interlocutores do governo norte-americano informações sobre a crise institucional brasileira e o combate ao crime organizado. A dupla disse ter realizado reuniões com autoridades do Departamento de Estado e da Casa Branca, sem divulgar os nomes dos interlocutores.

Campanha teme impacto eleitoral

Segundo a reportagem da CNN, integrantes da campanha de Flávio também avaliam que declarações de Eduardo podem ser utilizadas pelos adversários durante a disputa presidencial.

A campanha busca, portanto, diferenciar a atuação do candidato da agenda defendida pelo irmão nos Estados Unidos. Eduardo, por sua vez, mantém uma atuação própria em Washington e afirma que suas conversas com autoridades norte-americanas tratam de temas como a situação do STF e o combate ao crime organizado.

A ofensiva ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, em um cenário de forte disputa política em torno das instituições brasileiras.

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