Goiás amplia monitoramento climático com previsão da qualidade do ar e novas ferramentas contra queimadas
Goiás passou a contar com novas ferramentas para monitoramento climático e ambiental. A partir desta quarta-feira (20), o Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado), da Universidade Federal de Goiás (UFG), disponibiliza uma previsão da qualidade do ar com até 72 horas de antecedência, além de um boletim semanal voltado à Região Metropolitana de Goiânia (RMG) e uma versão atualizada da plataforma de monitoramento de focos de fogo ativo.
As iniciativas foram apresentadas em um momento de preocupação com o avanço do El Niño e com a possibilidade de intensificação das queimadas no Cerrado durante o período de estiagem.
Segundo o diretor-executivo do CEMPA-Cerrado, Manuel Eduardo Ferreira, as ferramentas fazem parte das metas estabelecidas desde a criação do centro, em outubro de 2023. A previsão da qualidade do ar foi desenvolvida para auxiliar órgãos públicos, especialmente nas áreas de saúde e Defesa Civil, na antecipação de situações de risco.
Inicialmente, o sistema disponibiliza informações para todo o território goiano. A expectativa, porém, é aumentar a precisão dos dados até o fim do ano, com uma resolução espacial mais detalhada para Goiás e, principalmente, para a Região Metropolitana de Goiânia.
Boletim acompanha qualidade do ar
Outra novidade é o Boletim Semanal de Qualidade do Ar, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O levantamento tem como foco inicial os 21 municípios que integram a Região Metropolitana de Goiânia.
Durante o período de seca, a baixa umidade e a ausência de chuvas favorecem a concentração de partículas finas na atmosfera. Segundo o CEMPA-Cerrado, esse cenário pode contribuir para a piora da qualidade do ar, especialmente em áreas próximas à superfície.
A ferramenta pode ajudar gestores públicos a identificar antecipadamente períodos mais críticos e adotar medidas voltadas à proteção da população.
Plataforma permite acompanhar queimadas
O CEMPA-Cerrado também apresentou uma nova versão da plataforma de monitoramento de focos de fogo ativo. O sistema utiliza informações de satélites da NASA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Com uma interface mais interativa, a ferramenta permite acompanhar a evolução dos focos de incêndio e visualizar a movimentação da fumaça praticamente em tempo real, com defasagem de aproximadamente 15 minutos.
A tecnologia pode ser utilizada por órgãos ambientais, equipes de fiscalização, brigadas de combate a incêndios e autoridades da área de saúde.
A integração das informações também possibilita relacionar a ocorrência de queimadas com os dados meteorológicos e as condições da qualidade do ar.
Dados podem ajudar na prevenção
De acordo com Manuel Ferreira, a combinação entre previsão meteorológica, qualidade do ar e monitoramento de focos de fogo amplia a capacidade de planejamento dos órgãos públicos.
A previsão meteorológica do CEMPA-Cerrado trabalha com resolução espacial de até 5 quilômetros e é atualizada diariamente. Com isso, gestores podem acompanhar mudanças nas condições climáticas e identificar períodos mais favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios.
As informações também podem contribuir para ações preventivas relacionadas à saúde. Períodos de baixa umidade, altas temperaturas e concentração de partículas podem representar maior risco para grupos mais vulneráveis, como idosos e crianças.
El Niño aumenta preocupação com queimadas
O lançamento das ferramentas ocorre em meio às previsões de um El Niño forte no segundo semestre. O fenômeno pode estar associado a alterações no regime de chuvas e ao aumento das temperaturas, condições que podem favorecer períodos de estiagem e elevar o risco de queimadas.
Segundo o diretor do CEMPA-Cerrado, os dados produzidos pelo centro também podem ser utilizados em modelos capazes de projetar cenários de risco de incêndios para períodos futuros.
O centro mantém parcerias com órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a Defesa Civil, o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) e a Agência Municipal de Meio Ambiente.
A proposta é ampliar o uso de dados científicos para antecipar eventos extremos e melhorar as estratégias de prevenção e adaptação às mudanças climáticas em Goiás.




