Greve na educação: nova proposta do Governo pode destravar acordo com servidores
A greve dos servidores administrativos da educação de Goiânia pode ter uma nova rodada de negociações nos próximos dias. A expectativa é que Prefeitura e representantes da categoria discutam uma nova proposta e apresentem os termos aos trabalhadores até a próxima segunda-feira (24).
A possibilidade foi apontada pela vereadora Ludmylla Morais (PT) durante discussão sobre a paralisação no plenário da Câmara Municipal de Goiânia nesta quinta-feira (20).
Segundo a parlamentar, uma nova reunião entre representantes dos servidores e do Executivo municipal deve ocorrer ainda nesta quinta ou na sexta-feira (21). A intenção é avançar nas negociações e apresentar uma alternativa que possa ser avaliada pela categoria na segunda-feira.
Servidores reivindicam atualização da carreira
A paralisação começou nesta semana e envolve os servidores administrativos efetivos da educação municipal. Entre as principais reivindicações está a atualização da carreira, que, segundo a vereadora, é aguardada desde 2011.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa (Mobiliza), afirmou que a Prefeitura apresentou pela primeira vez em 15 anos uma proposta de atualização da tabela salarial dos servidores administrativos.
“Hoje nós já temos uma proposta e temos, obviamente, o intuito de melhorar, de avançar nesse aspecto”, afirmou.
Apesar disso, Ludmylla avalia que a proposta apresentada até o momento não atende às reivindicações da categoria.
Segundo a vereadora, a legislação aprovada em 2011 foi cumprida até 2016, mas a diferença entre os reajustes pelo IPCA e os ganhos reais do salário mínimo teria provocado defasagem nos vencimentos e contribuído para o congelamento da carreira.
Prefeitura admite possibilidade de melhorar proposta
Diante do impasse, os servidores autorizaram, no início de agosto, que o sindicato apresentasse uma alternativa baseada na atualização da tabela salarial. A mudança representou uma flexibilização da pauta original, que previa a criação de um novo plano de carreira.
A Prefeitura apresentou uma proposta, mas, segundo Ludmylla, reduziu o percentual que vinha sendo discutido e sugeriu parcelar até 2030 uma recomposição de 12% entre níveis e 2% entre letras.
O prazo foi considerado muito longo pelos servidores.
Bessa reconheceu que a proposta ainda não é a ideal, mas destacou que representa um avanço após anos sem atualização.
“É o ideal? Óbvio que não. Nós sabemos a necessidade de valorizar ainda mais os servidores”, afirmou.
O vereador defendeu que o município continue avaliando possibilidades de melhorar a tabela.
Justiça determina manutenção de 70% do efetivo
Na terça-feira (18), representantes dos servidores participaram de uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). A reunião terminou sem acordo.
O desembargador Augusto Ventura determinou que a comissão de negociação voltasse a se reunir entre quinta e sexta-feira para tentar chegar a uma solução.
De acordo com Ludmylla, representantes dos trabalhadores já discutiram alternativas com a Prefeitura nesta quinta-feira, e uma nova reunião poderá ocorrer ainda hoje ou amanhã.
A expectativa é que uma nova proposta seja apresentada aos servidores na segunda-feira (24), quando a categoria deverá decidir os próximos passos do movimento.
Greve afeta rotina das escolas
A paralisação envolve servidores administrativos efetivos que desempenham funções como limpeza, alimentação escolar, atendimento, organização de documentos e acompanhamento de crianças da educação infantil e estudantes com deficiência.
A Justiça determinou que pelo menos 70% do efetivo seja mantido durante a greve.
Segundo Ludmylla, a categoria tem cumprido a determinação, embora tenham sido registradas reclamações relacionadas ao funcionamento das unidades, principalmente em serviços de limpeza.
Bessa afirmou que o momento deve ser de diálogo entre trabalhadores e Prefeitura.
“Não é hora de estar construindo muro. É hora, sim, de construir pontes e todo mundo abraçar uma causa que é tão justa”, declarou.
Enquanto as negociações continuam, servidores e Prefeitura tentam chegar a um acordo que permita uma nova avaliação da greve na próxima segunda-feira. A decisão sobre a continuidade ou suspensão da paralisação caberá à categoria.




