HomeCidadesEx-aluna é chamada por “nome morto” em formatura e UFG é condenada...

Ex-aluna é chamada por “nome morto” em formatura e UFG é condenada a pagar indenização

Ex-aluna teve o nome civil anunciado durante cerimônia de formatura em 2022, apesar de o nome social estar registrado no sistema acadêmico da universidade desde 2021

UFG é condenada a indenizar ex-aluna trans chamada por “nome morto” em formatura

Justiça determinou pagamento de R$ 4 mil por danos morais após nome civil da estudante ser anunciado durante cerimônia de formatura, apesar de nome social estar registrado na universidade

A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais a uma ex-aluna trans da instituição que foi chamada pelo nome de registro civil, conhecido como “nome morto”, durante uma cerimônia de formatura em 2022.

O caso ocorreu durante a colação de grau do curso de Teatro. O nome civil da atriz e professora Mar Dias Rosa foi anunciado publicamente, embora o nome social dela já estivesse registrado no sistema acadêmico da universidade desde 2021.

Mar havia ingressado com uma ação judicial pedindo R$ 25 mil em indenização, mas a Justiça fixou a reparação em R$ 4 mil.

“Estou feliz com o resultado. Não com o valor, mas com o simbolismo que isso carrega. Considero isso como um avanço para que a gente tenha mais jurisprudência”, afirmou Mar.

Constrangimento durante a formatura

Segundo a ex-aluna, o episódio provocou constrangimento e teve impacto em sua saúde emocional. Ela afirma que havia combinado previamente com a direção da universidade que seria identificada pelo nome social durante a cerimônia.

Mar relatou que uma amiga percebeu o erro no momento da solenidade e procurou a oradora para pedir a correção. Pouco depois, ela foi novamente chamada ao palco pelo nome social.

A ex-aluna também afirmou que buscou atendimento psicológico após o episódio, mas não conseguiu receber o acompanhamento que havia solicitado durante o período em que estudava na universidade.

UFG reconhece erro e cita políticas para população trans

Em nota, a UFG informou que a sentença foi proferida em 1º de outubro de 2025 e transitou em julgado em 10 de janeiro de 2026. Segundo a instituição, o pagamento da indenização já foi realizado pela União.

A universidade lamentou o ocorrido e afirmou que, ao identificar o erro durante a cerimônia, a equipe pediu desculpas e chamou a estudante novamente ao palco utilizando o nome social.

A UFG também destacou que mantém, há mais de uma década, políticas voltadas à comunidade trans, incluindo a utilização de nome social nos sistemas e documentos oficiais, cotas em cursos de graduação e pós-graduação e programas de assistência estudantil para pessoas trans e travestis em situação de vulnerabilidade.

A instituição também citou campanhas de conscientização voltadas à visibilidade da população trans e ao combate à transfobia.

O caso tornou-se público em agosto de 2026, após o encerramento das etapas processuais.

MAIS NOTICIAS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_img
spot_img
spot_img

Veja também