Líder de esquema de anabolizantes ostentava carros de luxo avaliados em mais de R$ 2 milhões
Um dos apontados como líderes de uma organização criminosa envolvida na fabricação e comercialização clandestina de anabolizantes, o morador de Águas Claras André Luiz de Amorim Junqueira ostentava nas redes sociais uma rotina cercada de veículos e bens de luxo.
Junqueira foi um dos alvos da Operação Narciso, ação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra uma rede suspeita de atuar na produção, distribuição e venda ilegal de anabolizantes, medicamentos controlados e outras substâncias proibidas.
Entre os veículos apreendidos durante a operação estão modelos de marcas como Porsche, Audi, Mercedes-Benz e Dodge Ram. Somados, os automóveis ultrapassam R$ 2 milhões, segundo as investigações.
O suspeito, que também trabalhava como DJ, costumava publicar fotos dos veículos nas redes sociais, inclusive ao lado da esposa. De acordo com a investigação, ele mantinha residência em um condomínio de alto padrão em Águas Claras.
Operação Narciso
A Operação Narciso é considerada uma das maiores ações realizadas neste ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas no país. A investigação identificou uma estrutura criminosa que, segundo a polícia, atuava desde a fabricação clandestina dos produtos até a produção de embalagens, divulgação e distribuição.
A Justiça expediu 43 mandados de prisão, entre preventivas e temporárias, além de 64 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio e sequestro de aproximadamente R$ 32 milhões em ativos financeiros.
As ações ocorreram no Distrito Federal e em outros estados, incluindo Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Acre, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais. A investigação também identificou conexões com a fabricação clandestina de substâncias no Paraguai.
Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, dez veículos de luxo foram apreendidos e mais de 30 sites utilizados para a venda ilegal foram retirados do ar.
Fabricação clandestina
Segundo a investigação, o grupo utilizava laboratórios improvisados, residências, depósitos e outros locais sem estrutura adequada para fabricar substâncias injetáveis e orais.
O processo, chamado pelos investigadores de “cozimento”, ocorria sem controle sanitário ou condições adequadas de assepsia. Insumos importados eram misturados a diferentes substâncias para aumentar o volume dos produtos e, consequentemente, os lucros.
A polícia também identificou produtos que, segundo as investigações, apresentavam substâncias que não eram informadas corretamente nos rótulos. Entre elas estavam clembuterol, sibutramina, fluoxetina, bupropiona e diuréticos.
A falta de controle na fabricação, de acordo com os investigadores, poderia provocar graves consequências aos consumidores, incluindo infecções, reações alérgicas, abscessos, embolias e outros problemas de saúde.
Esquema movimentava milhões
Ainda segundo a investigação, André Junqueira teria ligação com a fabricação e distribuição do produto conhecido como “Yellow B” e com laboratórios clandestinos instalados em diferentes estados.
A polícia também aponta que o grupo utilizava mecanismos para ocultar a origem do dinheiro obtido com as vendas ilegais. Entre as estratégias investigadas estaria o fracionamento de transferências via Pix para casas de apostas, seguido de saques apresentados como supostos ganhos.
Os investigadores estimam que aproximadamente R$ 4 milhões tenham sido movimentados por meio desse mecanismo.
Além disso, empresas e pessoas apontadas como “laranjas” teriam sido utilizadas para movimentar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
A operação também identificou a participação de profissionais de diferentes áreas, incluindo nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais, que, segundo a polícia, teriam contribuído para a divulgação e comercialização dos produtos.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos na organização e dimensionar o total movimentado pelo esquema.




