Operação aponta que doleira da Lava Jato recebia R$ 70 mil por mês para atuar em esquema ligado ao PCC
Uma investigação do Ministério Público de São Paulo revelou que a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, conhecida por ter sido alvo da Operação Lava Jato, recebia cerca de R$ 70 mil mensais para prestar serviços ao braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta nas apurações da Operação Janus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo os investigadores, Meire era responsável por manter uma estrutura contábil utilizada para atender demandas financeiras da facção criminosa. A operação aponta que ela teria colocado seus conhecimentos técnicos à disposição do grupo, auxiliando na organização e no gerenciamento de atividades ligadas à movimentação de recursos.
A contadora foi alvo de um mandado de prisão preventiva. De acordo com o Ministério Público, ela integrava uma rede de operadores financeiros que atuava em favor do PCC havia pelo menos cinco anos. Mensagens obtidas durante a investigação indicariam uma relação próxima entre Meire e integrantes apontados como responsáveis pela gestão financeira da organização criminosa.
As investigações também identificaram trocas de informações e serviços envolvendo declarações fiscais, estruturação contábil e movimentações financeiras consideradas suspeitas. Para os promotores, o material reunido reforça a tese de que a profissional tinha conhecimento das atividades ilícitas desenvolvidas pelo grupo investigado.
Meire Poza ganhou notoriedade durante as investigações da Operação Lava Jato por sua ligação com o doleiro Alberto Youssef. Posteriormente, ela também apareceu em outras apurações relacionadas a supostos esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção.
A Operação Janus mira um grupo apontado como responsável por movimentar recursos em benefício do PCC e por manter uma complexa estrutura financeira para atender interesses da facção. Ao todo, a ação resultou em prisões e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos investigados




