HomeCulturaEstudante usará beca branca na formatura em respeito ao Candomblé

Estudante usará beca branca na formatura em respeito ao Candomblé

Por tradição do Candomblé, estudante participará de formatura com beca branca

Justiça garante a estudante direito de usar beca branca na formatura em respeito ao Candomblé

Uma estudante de 22 anos do curso de Relações Internacionais conquistou na Justiça o direito de participar da cerimônia de colação de grau utilizando uma beca branca, em respeito aos preceitos religiosos do Candomblé. A decisão foi concedida pela 4ª Vara Cível de Valparaíso de Goiás após a instituição de ensino negar o pedido de forma administrativa.

A jovem é adepta da tradição Ketu e cumpre um período de resguardo religioso que exige o uso exclusivo de roupas brancas. Segundo ela, a exigência não se trata de uma escolha estética, mas de uma obrigação ligada à sua fé e ao compromisso assumido durante a iniciação religiosa.

Antes de recorrer ao Judiciário, a estudante tentou obter autorização junto à instituição de ensino e à empresa responsável pela cerimônia. Ela solicitou apenas a utilização de uma beca branca durante a solenidade, sem alterações no protocolo do evento. O pedido, porém, foi negado. Como alternativa, foram oferecidas a colação de grau em gabinete ou a participação remota, opções que ela recusou por desejar participar presencialmente ao lado dos colegas.

Representada pela Defensoria Pública de Goiás, a estudante ingressou com uma ação judicial argumentando que a negativa violava seu direito à liberdade religiosa. Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que a manifestação da crença integra os direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e determinou que a instituição permita o uso da vestimenta branca na cerimônia.

Na decisão, a Justiça destacou que a liberdade de professar e manifestar uma crença está diretamente ligada à dignidade da pessoa humana. O entendimento reforça a proteção constitucional às diversas manifestações religiosas e o respeito à diversidade cultural e religiosa no ambiente acadêmico.

A cerimônia de formatura está marcada para o próximo dia 28 de julho. Para a estudante, a decisão representa não apenas uma vitória pessoal, mas também um avanço no reconhecimento e no respeito às religiões de matriz africana. “Ninguém deveria precisar escolher entre sua fé e seus sonhos”, afirmou.

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