Representação ao MPF questiona acúmulo de cargos por dirigente da Unimed Goiânia
Uma representação encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) levantou questionamentos sobre o acúmulo de funções exercidas pelo médico Washington Luiz Ferreira Rios, atual presidente do Conselho de Administração da Unimed Goiânia e vice-presidente da Unimed Federação Centro-Brasileira. O documento aponta possível conflito de interesses entre cargos ocupados na iniciativa privada e na administração pública federal.
De acordo com a representação, além de atuar em posições de liderança na cooperativa médica, Washington Rios também ocupa o cargo de superintendente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), unidade administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A função é considerada estratégica dentro da estrutura do hospital universitário e envolve responsabilidades na gestão da instituição pública.
Os autores da representação argumentam que a acumulação das funções pode contrariar normas que regulamentam o exercício de cargos de confiança na administração pública federal. O documento solicita que os órgãos competentes analisem a compatibilidade das atividades desempenhadas e eventual impacto sobre a gestão pública.
Outro ponto destacado é a possibilidade de conflito de interesses em razão do acesso a informações relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo dados sobre a rede hospitalar e a regulação de leitos. Segundo a representação, caberia às autoridades verificar se há risco de utilização indevida de informações estratégicas em benefício de interesses privados.
Debate sobre atendimento a crianças com TEA
A representação surge em um momento de forte repercussão envolvendo a Unimed Goiânia e o atendimento a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nos últimos meses, famílias relataram dificuldades relacionadas ao descredenciamento de clínicas especializadas e à redução de sessões terapêuticas consideradas essenciais para o desenvolvimento das crianças.
Os casos chegaram a órgãos de defesa do consumidor e ao Ministério Público de Goiás, que acompanham as reclamações apresentadas por usuários do plano de saúde. Pais e responsáveis afirmam que as mudanças afetaram tratamentos multidisciplinares, como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e acompanhamento especializado.
Em algumas situações, a questão foi levada ao Poder Judiciário. Em uma das decisões mais recentes, a Justiça de Goiás determinou a manutenção do tratamento de uma criança atendida por uma clínica especializada, entendendo que a interrupção poderia causar prejuízos ao desenvolvimento do paciente.
Caso segue sob análise
Até o momento, a representação protocolada junto ao MPF ainda deverá passar pela análise dos órgãos competentes, que poderão decidir pela abertura ou não de procedimentos para apuração dos fatos apresentados.
O caso amplia o debate sobre transparência na gestão de instituições de saúde e sobre a necessidade de garantir a continuidade de tratamentos considerados fundamentais para pacientes com necessidades especiais. Enquanto as investigações e análises seguem em andamento, famílias afetadas pelas mudanças nos atendimentos continuam buscando soluções administrativas e judiciais para assegurar o acesso às terapias prescritas por profissionais de saúde.




