Coopanest-GO afirma que repasses atrasados desde 2025 já ultrapassam R$ 10,9 milhões; apenas urgências e emergências seguem sendo atendidas na rede municipal
Cirurgias eletivas, exames e partos programados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Aparecida de Goiânia foram suspensos desde o dia 25 de maio após a interrupção dos serviços prestados pelos anestesiologistas da rede municipal. A decisão, segundo a categoria, foi motivada por uma dívida acumulada que já se aproxima de R$ 11 milhões por parte da Prefeitura, comprometendo diretamente a continuidade de procedimentos essenciais e aumentando a pressão sobre a fila de espera da população.
De acordo com a Coopanest-GO, os atrasos nos pagamentos se arrastam desde 2025 e já somam R$ 10.925.180,26, referentes a serviços prestados entre julho de 2025 e abril de 2026. A entidade afirma que houve sucessivas tentativas de negociação com a Secretaria Municipal de Saúde, mas sem a apresentação de um cronograma efetivo de quitação dos débitos.
Segundo a cooperativa, a suspensão dos atendimentos eletivos foi adotada como “última alternativa” após meses de impasse administrativo. A categoria relata que um ofício formal foi encaminhado à gestão municipal no início de maio, estabelecendo prazo para regularização dos pagamentos. No entanto, diante da ausência de proposta concreta de quitação, os profissionais decidiram interromper as atividades programadas, mantendo apenas os atendimentos de urgência e emergência.
O impacto da paralisação é considerado significativo pela própria entidade. Em 2025, os anestesiologistas cooperados participaram de mais de 32 mil procedimentos, incluindo cirurgias, partos e exames com necessidade de anestesia ou sedação, além de cerca de 25 mil atendimentos a pacientes da rede pública. Apenas em 2026, até a suspensão dos serviços, já haviam sido realizadas mais de 9,5 mil intervenções.
Com a interrupção, a expectativa é de aumento imediato na fila de espera por cirurgias eletivas e outros procedimentos programados, o que pode agravar a situação de pacientes que já aguardavam atendimento. Profissionais alertam ainda para o risco de sobrecarga futura na rede, caso não haja uma solução rápida para a normalização dos pagamentos.
A cooperativa reforça que permanece aberta ao diálogo com o município, mas condiciona o retorno pleno das atividades à regularização financeira. Até o momento, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia não detalhou publicamente um cronograma de pagamento ou possível acordo para a retomada integral dos serviços.
Em nota: A Secretaria Municipal de Saúde mantém diálogo com a Secretaria Estadual de Saúde para solucionar o impasse com a cooperativa de anestesiologia e restabelecer os atendimentos que necessitam do repasse da SES o mais breve possível.




