Estrutura criada para integrar transporte entre Entorno e DF nunca entrou em operação e virou alvo de questionamentos após suspensão anunciada pela Codeal
O que seria apresentado como um marco para a mobilidade urbana de Águas Lindas de Goiás terminou antes mesmo de começar. O Terminal Provisório de Integração, construído ao custo de R$ 600 mil, foi desativado antes da inauguração oficial e sem receber passageiros.
O projeto havia sido anunciado pela prefeitura como parte de uma estratégia para reorganizar o transporte público entre o Entorno do Distrito Federal e cidades como Brasília, Taguatinga e Ceilândia. A promessa incluía integração tarifária, redução no valor das passagens e mais conforto para quem enfrenta diariamente longas viagens entre Goiás e o DF.
A proposta previa uma operação em etapas. Em fevereiro começariam as linhas para Brasília. Em março seria a vez das rotas para Taguatinga. Já em abril, o sistema passaria a atender Ceilândia. O modelo incluía linhas alimentadoras ligando bairros ao terminal e linhas semiurbanas conectando Águas Lindas ao Distrito Federal.
Além da reorganização do fluxo, a prefeitura também divulgava uma economia significativa para os usuários. Algumas tarifas cairiam de R$ 4,75 para R$ 1,50 nas linhas alimentadoras. Já viagens integradas teriam redução de R$ 11,15 para R$ 11. Mas o plano não saiu do papel.
A Companhia de Desenvolvimento de Águas Lindas (Codeal), responsável pela execução do projeto, informou que a descontinuidade foi uma “decisão estratégica”. Segundo a companhia, o principal problema foi a ausência de alinhamento entre Governo de Goiás e Governo Federal para viabilizar os subsídios necessários ao funcionamento do sistema.
De acordo com a nota divulgada pela Codeal, a integração dependia de uma engenharia financeira compartilhada entre diferentes esferas de governo. Sem definição clara sobre repasses e sem uma governança interfederativa consolidada, manter a operação provisória teria se tornado inviável.
A companhia afirmou ainda que “a principal barreira para a viabilidade do subsídio reside na falta de alinhamento e fluxo de comunicação entre o Governo do Estado de Goiás e o Governo Federal”.
O Governo de Goiás rebateu a declaração. Em nota, afirmou que existem tratativas em andamento com a ANTT para a criação do Consórcio Interfederativo do Entorno, apontado pelo estado como o único mecanismo legal capaz de garantir um sistema definitivo e uma tarifa considerada justa para os passageiros da região metropolitana.
O estado também destacou que o transporte entre o Entorno e o Distrito Federal possui natureza interestadual e, por isso, intervenções isoladas de prefeituras poderiam gerar insegurança jurídica.
Enquanto o terminal provisório deixa de existir sem nunca ter operado, a Codeal sustenta que outras frentes do projeto seguem em andamento. Entre elas está a implantação da terceira faixa na BR-070, que deverá funcionar como corredor exclusivo para ônibus no trecho entre Águas Lindas e o posto da Polícia Rodoviária Federal.
Outro ponto citado foi a renovação da frota do transporte semiurbano. Segundo a companhia, houve investimento privado de R$ 70 milhões para substituição da operadora logística e colocação de 65 ônibus novos em circulação.
A Codeal também informou que o projeto do terminal definitivo segue em fase final de estudos técnicos. A previsão é de um investimento de R$ 200 milhões através de parceria com a iniciativa privada por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI).
Já a estrutura do terminal provisório será desmontada. Ferragens, coberturas e instalações elétricas foram inventariadas e deverão ser reaproveitadas em outros equipamentos públicos do município.
Mesmo com a suspensão, a companhia afirma continuar defendendo o modelo de integração e diz que poderá retomar o projeto caso haja alinhamento político e financeiro entre os governos estadual e federal.



