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PF liga compra de triplex milionário de Ciro Nogueira à “emenda Master” investigada por suspeita de corrupção

Senador teria adquirido cobertura de R$ 22 milhões em São Paulo semanas antes de apresentar proposta que beneficiaria o Banco Master. Polícia Federal aponta suposta troca de favores com o banqueiro Daniel Vorcaro.

 

O senador Ciro Nogueira voltou ao centro de uma crise política após ser alvo da Polícia Federal na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ao Banco Master.

Segundo as investigações, o parlamentar comprou uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões em um dos endereços mais luxuosos de São Paulo apenas 26 dias antes de apresentar no Senado a chamada “emenda Master”, considerada pela PF um possível elo entre o senador e os interesses do banco investigado por fraude bilionária contra o sistema financeiro.

O imóvel fica na famosa Rua Oscar Freire, região nobre da capital paulista, e possui 514 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem. A cobertura está em fase final de construção.  De acordo com a PF, Ciro teria atuado “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.

O banqueiro Daniel Vorcaro é apontado como peça central das investigações envolvendo o Banco Master. As suspeitas ganharam força após investigadores identificarem mensagens atribuídas a Vorcaro comemorando a apresentação da emenda no Senado.

“Saiu exatamente como mandei”, teria escrito o banqueiro, segundo relatório da PF.

A proposta apresentada por Ciro Nogueira previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que poderia beneficiar diretamente o Banco Master, que enfrentava grave crise financeira na época. A Polícia Federal também aponta diálogos que indicariam pagamentos mensais ao senador.

Em uma das mensagens obtidas pelos investigadores, um interlocutor pergunta:

“É para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mês?”

A resposta atribuída a Daniel Vorcaro foi direta:

“Sim.”

Segundo a PF, relatórios do Coaf confirmariam movimentações financeiras ligadas às empresas citadas na conversa. A investigação também afirma que a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, ligada à família de Ciro Nogueira, teria sido utilizada para aquisição dos imóveis e possível recebimento de recursos investigados.

Além do triplex, o senador também negocia uma mansão de alto padrão no Jardim Europa, bairro nobre da zona oeste paulistana. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 30 milhões, conta com projeto assinado pelo arquiteto Arthur Casas e inclui piscina aquecida, spa, academia e espaço para festas com bar e mesa de DJ.

Segundo pessoas ligadas à obra, o próprio senador e sua namorada participaram diretamente das alterações do projeto arquitetônico. A Polícia Federal também aponta que Ciro se tornou sócio de Daniel Vorcaro em abril de 2024, quando adquiriu participação em ativos ligados ao grupo empresarial do banqueiro por valor muito abaixo do mercado.

Para os investigadores, o senador teria recebido uma “vantagem negocial” milionária enquanto defendia interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional. Em nota publicada nas redes sociais, Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou ser vítima de perseguição política.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera pesquisas”, escreveu o senador.

A operação autorizada pelo ministro André Mendonça incluiu mandados de busca e apreensão contra o parlamentar e outros investigados ligados ao caso. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 2025 após a explosão do escândalo financeiro. Segundo estimativas oficiais, o rombo pode gerar impacto bilionário ao Fundo Garantidor de Crédito.

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