Decisão aponta ilegalidade no prazo e PF ainda tenta nova prisão
O Superior Tribunal de Justiça determinou a soltura do influenciador Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, preso durante a Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema de transações ilegais estimado em R$ 1,6 bilhão. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (23) e considera irregular o prazo de 30 dias imposto à prisão temporária.
Segundo a defesa, o ministro Messod Azulay Neto entendeu que houve excesso na medida, já que o próprio pedido inicial da autoridade policial previa prazo de apenas cinco dias. Para o advogado Pedro Paulo Medeiros, a decisão corrige uma distorção e restabelece os limites legais da prisão temporária.
Raphael, de 31 anos, estava detido no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia, unidade de segurança máxima destinada a presos de maior repercussão. Até o início da tarde, ele ainda não havia sido liberado.
A prisão ocorreu durante a operação da Polícia Federal, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com lavagem de dinheiro e estelionato digital em larga escala. De acordo com as apurações, Raphael teria atuado como operador de mídia do grupo, sendo responsável por divulgar conteúdos, promover plataformas e ajudar na gestão da imagem dos envolvidos.
A investigação aponta que o esquema movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas online, empresas de fachada, contas de terceiros e até criptoativos. No centro da estrutura estaria Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário econômico.
Mesmo com a decisão favorável do STJ, a Polícia Federal já se movimenta para manter os investigados presos. Ainda nesta quinta-feira, foi apresentado novo pedido de prisão preventiva, sob argumento de risco de continuidade das atividades criminosas, interferência nas investigações e necessidade de garantia da ordem pública.
Outro ponto central da investigação envolve os valores recebidos por Raphael. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido cerca de R$ 370 mil do MC Ryan SP por serviços de publicidade. A defesa, no entanto, afirma que os valores são legais e correspondem a serviços prestados no meio artístico.
Parte do montante, cerca de R$ 100 mil, teria origem em uma transferência feita por terceiros, o que, segundo os advogados, é uma prática comum no setor. A defesa sustenta que não há participação do influenciador em organização criminosa.
O inquérito também cita outros influenciadores e operadores financeiros, incluindo o nome de Rodrigo Morgado, apontado como peça-chave na estrutura financeira do grupo. A investigação surgiu a partir da análise de dados extraídos de dispositivos vinculados ao contador, revelando uma rede paralela de movimentação de recursos.
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de outras ações da Polícia Federal e amplia o foco sobre o uso de plataformas digitais e influência online como ferramentas dentro de esquemas financeiros ilegais.
Apesar da soltura, Raphael segue sendo investigado. O caso continua em andamento e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente com a análise do novo pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Federal.


