Pacientes relatam abusos dentro de consultório e apontam padrão de manipulação; médico atuava há mais de 30 anos
“Estamos diante de um predador sexual.” A frase da delegada Amanda Menuci não deixa margem para dúvida sobre a gravidade das denúncias contra o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, acusado por cinco pacientes de cometer abusos durante consultas em Goiás.
O que deveria ser um ambiente de cuidado e confiança, segundo os relatos, se transformava em cenário de violência. As vítimas descrevem um mesmo roteiro: primeiro a aproximação, depois a quebra de limites e, por fim, o abuso.

De acordo com a investigação, o médico usava elogios e conversas pessoais para ganhar espaço. Em seguida, avançava com perguntas íntimas e comportamentos inadequados. O passo seguinte, segundo os depoimentos, eram toques sem consentimento e procedimentos invasivos que não tinham qualquer justificativa médica.
As histórias se repetem mesmo entre mulheres que nunca tiveram contato umas com as outras, o que reforça a suspeita de um padrão calculado.
Um dos relatos mais chocantes aponta que o médico teria feito sexo oral em uma paciente dentro do consultório, após marcar atendimento fora do horário, dispensar a secretária e trancar a porta.
Outro caso revela que nem mesmo a presença de uma filha adolescente impediu novos abusos. A paciente, que já havia se sentido assediada anteriormente, voltou ao consultório acompanhada — e, ainda assim, foi novamente vítima, segundo o depoimento.
Quatro dos casos investigados ocorreram em uma clínica no Setor Campinas, em Goiânia, e um em Senador Canedo. A polícia acredita que o número de vítimas pode ser maior.
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do médico, mas a Justiça negou. Como alternativa, foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato com as denunciantes e a restrição de deslocamento.
Mesmo sendo maiores de idade, as vítimas são consideradas vulneráveis no contexto dos atendimentos médicos, o que pode levar ao enquadramento por estupro de vulnerável.
Após a repercussão, o Conselho Regional de Medicina suspendeu o direito do médico de exercer a profissão.
A investigação continua e a exposição do caso pode ser decisiva para que outras vítimas rompam o silêncio.


