quarta-feira, março 11, 2026
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Ataques a navios no Estreito de Ormuz ampliam tensão global e elevam temor de crise no petróleo

Projéteis atingem embarcações em rota estratégica do comércio mundial; tripulantes estão desaparecidos e potências internacionais avaliam resposta militar

O cenário de tensão no Oriente Médio ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11), após pelo menos três navios serem atacados no estratégico Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás. O Irã assumiu ter disparado projéteis contra duas embarcações, enquanto autoridades marítimas internacionais registraram danos em diferentes navios que navegavam pela região. Até o momento, três tripulantes de um cargueiro seguem desaparecidos, aumentando a preocupação internacional.

Entre as embarcações atingidas está um graneleiro com bandeira da Tailândia, que chegou a pegar fogo após o ataque. De acordo com autoridades do país asiático, 20 tripulantes foram resgatados, mas três ainda não foram localizados. Outro navio atingido foi o porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa, que sofreu danos leves a cerca de 46 quilômetros da costa de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Já o graneleiro Star Gwyneth, registrado nas Ilhas Marshall, teve o casco danificado por um projétil a aproximadamente 80 quilômetros de Dubai. Segundo empresas de segurança marítima, a tripulação dessa embarcação está em segurança.

Relatos da agência francesa AFP apontam ainda para um possível quarto navio atingido na região. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado também contra a embarcação Express Rome, de bandeira da Libéria, embora até agora não haja confirmação oficial sobre danos ou vítimas.

O Estreito de Ormuz tornou-se um dos pontos mais sensíveis da guerra no Oriente Médio. Cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumido no mundo passa por esse corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Desde o início do conflito, no final de fevereiro, o Irã tem afirmado controlar a passagem e chegou a ameaçar atacar embarcações que transitassem pela área.

A escalada militar já provoca impactos diretos na economia global. O preço do petróleo disparou nos mercados internacionais diante do temor de interrupção no abastecimento. O barril do petróleo WTI chegou perto de 88 dólares, com alta de quase 6%, enquanto o Brent ultrapassou os 92 dólares, registrando aumento superior a 5%.

Diante do agravamento da crise, os Estados Unidos e países europeus estudam enviar navios de guerra para escoltar embarcações comerciais no estreito. Na véspera dos ataques, as Forças Armadas norte-americanas afirmaram ter destruído 16 embarcações iranianas usadas para instalação de minas navais próximas à região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elevou o tom e advertiu o governo iraniano sobre “consequências militares de um nível nunca antes visto” caso o país avance com ações que bloqueiem a passagem marítima.

Especialistas em segurança internacional alertam que a situação pode afetar profundamente o comércio global. Além do risco militar, o aumento no custo de seguros e segurança para navios pode tornar economicamente inviável a travessia pela rota. O Soufan Center, organização especializada em segurança com sede em Nova York, destacou que uma única passagem pelo estreito pode custar mais caro do que o lucro obtido com a carga de petróleo transportada.

Enquanto isso, a tensão se espalha por outras áreas do Golfo Pérsico. Explosões foram registradas em Doha, no Catar, e drones caíram nas proximidades do aeroporto de Dubai, deixando feridos. A Arábia Saudita também informou ter interceptado drones que seguiam em direção ao campo petrolífero de Shaybah, além de mísseis lançados contra uma base aérea que abriga militares americanos.

O agravamento do conflito já mobiliza líderes mundiais. O G7 convocou uma reunião de emergência por videoconferência para discutir possíveis medidas diante do risco de crise energética global. A Agência Internacional de Energia também avalia a possibilidade de recorrer às reservas estratégicas de petróleo — uma medida considerada extrema e raramente utilizada.

Com o Estreito de Ormuz no centro da disputa, analistas alertam que qualquer escalada adicional pode afetar diretamente a economia mundial, pressionar o preço dos combustíveis e ampliar ainda mais a instabilidade no cenário geopolítico internacional.

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