PF cumpre 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em SP e MG; ação mira esquema bilionário de fraudes e bloqueio de até R$ 22 bi em bens
Em uma ação que marca mais um capítulo do maior escândalo financeiro recente no Brasil, a Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), o empresário Daniel Vorcaro, fundador e principal acionista do Banco Master, durante o cumprimento de mandados judiciais autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A detenção acontece no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de irregularidades que teria causado prejuízos bilionários ao sistema financeiro nacional.
A PF informou que são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Minas Gerais, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e ativos relacionados ao grupo investigado, estimados em até R$ 22 bilhões. Entre os alvos da operação está também o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.
A terceira fase da Compliance Zero busca aprofundar apurações sobre possíveis crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente praticados por uma organização criminosa estruturada em torno da instituição. A investigação tem contado com o apoio do Banco Central (BC), que já havia determinado a liquidação extrajudicial do Banco Master e bloqueado operações da instituição no ano passado, após descobrir indícios de emissão de títulos de crédito falsos e ativos fictícios – práticas que teriam repercussões para investidores, instituições e clientes em todo o país.
A prisão de Vorcaro ocorreu em sua residência na capital paulista, e ele foi conduzido à Superintendência da PF em São Paulo. A nova ordem de prisão preventiva ocorre poucos meses após ele ter sido detido em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para o exterior, em um episódio que ganhou grande repercussão na época. Naquela ocasião, ele chegou a ser mantido preso por cerca de 10 dias e, posteriormente, ficou em prisão domiciliar usando tornozeleira eletrônica até esta nova determinação.
No centro das investigações estão acusações de que o Banco Master teria emitido títulos de crédito sem lastro e fabricado carteiras de ativos inexistentes, colocando em risco a estabilidade de negócios e entidades financeiras parceiras, como o Banco de Brasília (BRB), além de afetar diretamente investidores que apostaram em produtos da instituição. Estimativas preliminares apontam que a fraude poderia ultrapassar cifras na casa dos bilhões de reais, provocando impacto econômico e social considerável.
Para autoridades e investigadores, a ação desta quarta representa um passo essencial para desarticular a suposta organização criminosa por trás das irregularidades e preservar valores que, segundo a PF, podem ser posteriormente recuperados e revertidos à Justiça ou às vítimas do esquema. A operação, considerada uma das mais complexas já conduzidas contra fraudes financeiras no país, também sinaliza um esforço mais amplo das instituições na proteção do sistema financeiro e na responsabilização de potenciais criminosos de colarinho branco.
A defesa de Vorcaro ainda não se manifestou oficialmente sobre a nova prisão, e os desdobramentos desta fase da Operação Compliance Zero devem movimentar ainda mais o debate sobre governança, regulação e fiscalização no setor bancário brasileiro nos próximos dias.



