Denúncia registrada na Polícia Civil aponta que Vinícius Montalvão, filho de ex-vereador, teria usado a influência do pai para aplicar golpes; caso reacende debate sobre impunidade e abuso de confiança
Em Aparecida de Goiânia, um velho problema volta a ganhar contornos alarmantes: o uso do sobrenome como instrumento de fraude. Segundo registro oficial de ocorrência lavrado na Polícia Civil de Goiás, Vinícius Henrique Montalvão é acusado de se apresentar como empresário recém-estabelecido e invocar o nome do pai, o ex-vereador Kezio Montalvão, para conquistar a confiança de vítimas e receber valores antecipados por produtos que jamais seriam entregues. O caso narrado envolve a promessa de venda de um telefone celular, o recebimento de quantia em dinheiro e, em seguida, o silêncio — um roteiro conhecido de quem opera à margem da lei.
O que torna a denúncia ainda mais grave é o padrão. De acordo com o boletim, o próprio pai do acusado teria relatado já ter arcado com prejuízos anteriores para reparar danos causados pelo filho, o que reforça a percepção de reincidência e de um método sustentado pelo abuso de confiança. Não se trata de criminalizar vínculos familiares, mas de responsabilizar condutas: quando a influência política vira moeda de persuasão, o dano extrapola o prejuízo financeiro e atinge a credibilidade das instituições e da vida pública.
Se pensar ira concordar que silenciar é compactuar. O documento registra a tipificação de estelionato (art. 171 do Código Penal) e descreve que o investigado é conhecido da polícia por práticas semelhantes, o que exige resposta firme do Estado e vigilância da sociedade . Em um município que clama por ética, o recado precisa ser claro: sobrenome não pode blindar crime. A apuração deve avançar, o contraditório deve ser assegurado e, se confirmadas as acusações, a punição deve ser exemplar — para que a confiança, uma vez quebrada, comece a ser reconstruída.



