Alireza Arafi assume papel central ao lado do presidente e do chefe do Judiciário até que a Assembleia de Peritos escolha o novo líder supremo
O Irã amanheceu sob um novo capítulo de sua história política neste domingo (1º/3), após a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no sábado (28/2). Em meio à comoção nacional e à tensão internacional, o aiatolá Alireza Arafi foi nomeado membro jurista do Conselho dos Guardiões e passa a integrar o comando temporário do país até a escolha de um novo líder supremo.
Arafi dividirá a condução do Estado com o presidente Masoud Pezeshkian e com o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei. O trio compõe o conselho de transição previsto no Artigo 111 da Constituição iraniana, mecanismo acionado automaticamente em caso de morte do líder supremo. A medida busca garantir estabilidade institucional enquanto o país atravessa um dos momentos mais delicados de sua estrutura de poder.
De acordo com a legislação iraniana, caberá agora à Assembleia de Peritos — formada por 88 líderes religiosos — a responsabilidade de eleger o novo líder supremo, autoridade máxima política e religiosa do país. O processo, embora previsto constitucionalmente, ocorre sob forte pressão interna e externa. O chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, afirmou que Estados Unidos e Israel “tentaram arquear e desmembrar o Irã” e declarou que a nação dará “uma lição inesquecível aos opressores internacionais”.
A transição ocorre em um cenário geopolítico sensível, com o Irã no centro de disputas regionais e globais. Internamente, a expectativa da população gira em torno da continuidade das diretrizes políticas e religiosas que moldaram o país nas últimas décadas. Externamente, o mundo acompanha com atenção cada movimento de Teerã, consciente de que a escolha do próximo líder supremo poderá redefinir o equilíbrio de forças no Oriente Médio.
Enquanto a Assembleia de Peritos se prepara para deliberar, o comando provisório tenta transmitir estabilidade e unidade. Em meio à incerteza, o Irã busca reafirmar sua soberania e manter a coesão nacional em um momento que pode marcar uma virada histórica para a República Islâmica.



